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O proTEJO – Movimento pelo Tejo contesta o prolongamento da operação da central nuclear de Almaraz, em Espanha, até junho de 2030, defendendo o regresso ao calendário de encerramento anteriormente previsto para os dois reatores. O movimento considera que a decisão prolonga riscos para as populações e para o rio Tejo e reclama o reforço das medidas de segurança e acompanhamento transfronteiriço.

A central nuclear de Almaraz, situada na província de Cáceres, a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, tem os dois reatores em funcionamento desde a década de 1980. A autorização espanhola para prolongar a sua operação fixa agora o encerramento em junho de 2030, depois de os calendários anteriormente acordados apontarem para novembro de 2027, no caso do primeiro reator, e outubro de 2028, no segundo.

Num comunicado enviado ao nosso jornal, o proTEJO considera que a decisão constitui um precedente para novos adiamentos e defende que deve ser revertida. O movimento sustenta que a extensão da operação aumenta a exposição a riscos associados à central, nomeadamente em matéria de segurança nuclear, gestão de resíduos radioativos e utilização da água do Tejo para refrigeração.

“Almaraz já ultrapassou largamente o seu período de vida útil. Adiar o encerramento não é gerir um risco – é acumulá-lo, ano após ano, sobre o rio Tejo e sobre as populações dos dois lados da fronteira”, afirma o movimento.

A posição surge num contexto em que a decisão espanhola tem sido analisada também pelos seus efeitos no sistema energético português. Especialistas ouvidos pela Lusa consideraram que a manutenção da produção nuclear espanhola pode ter efeitos favoráveis para Portugal, devido à forte integração dos mercados elétricos ibéricos.

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Especialistas dizem que extensão de Almaraz pode conter preços em Portugal e divergem sobre opção nuclear

Bruno Soares Gonçalves, presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, afirmou à Lusa que o prolongamento das centrais espanholas pode contribuir para conter os preços grossistas da eletricidade, enquanto António Vidigal, consultor e antigo diretor da EDP Inovação, considerou que a manutenção de cerca de 2.000 megawatts de produção nuclear de elevada disponibilidade tende a aumentar a oferta no mercado ibérico.

Os dois especialistas defenderam, contudo, que Portugal deve acompanhar de perto as decisões espanholas, nomeadamente nas áreas da segurança nuclear, preparação para emergências e gestão dos resíduos radioativos. A discussão sobre o futuro do nuclear tem também ganho expressão noutros países europeus, alguns dos quais estão a prolongar a operação de centrais existentes ou a considerar novos investimentos.

O proTEJO assume uma posição diferente relativamente à extensão de Almaraz e reclama, em primeiro lugar, o cumprimento do calendário anteriormente definido.

Entre as medidas que considera necessárias está a atualização do plano de emergência transfronteiriço e dos meios de descontaminação, bem como a garantia de financiamento integral do desmantelamento da central e da futura instalação de armazenamento geológico profundo dos resíduos radioativos.

O movimento defende ainda a criação de um plano de emprego sustentável para a região de Campo Arañuelo, onde está instalada a central, e de uma comissão de acompanhamento transfronteiriça que inclua a participação da Agência Portuguesa do Ambiente e assegure a divulgação pública e contínua dos dados de monitorização radiológica.

Central Nuclear de Almaraz fica a cerca de 100 km da fronteira portuguesa. Foto: Nuno Veiga/Lusa

O movimento ambientalista chama também a atenção para a qualidade da água do Tejo, sustentando que os relatórios de monitorização radiológica realizados por um laboratório do Instituto Superior Técnico registam concentrações de trítio no rio, em Vila Velha de Ródão e Valada, superiores às verificadas noutros grandes rios portugueses.

Segundo o proTEJO, esta diferença estará relacionada com o funcionamento da central de Almaraz e com o sistema de descarga das águas utilizadas no seu funcionamento. A organização considera que o prolongamento da operação até 2030 significa manter durante mais tempo essa exposição.

O comunicado enumera ainda como riscos a possibilidade de novos adiamentos do encerramento, a insuficiência de planos de emergência atualizados, a continuidade da descarga de radionuclídeos, o risco de acidente nuclear, os custos do futuro desmantelamento e os riscos associados à segurança da instalação num contexto de tensão geopolítica.

O proTEJO acompanha há cerca de 17 anos as questões relacionadas com a política da água na bacia do Tejo e que tem alertado há mais de uma década para os riscos associados a Almaraz. Em 2016, participou na mobilização pelo encerramento da central em Cáceres e, em 2021, voltou a defender a antecipação do encerramento, em vez do seu adiamento.

“Não pedimos o encerramento amanhã de forma desordenada. Pedimos que se cumpra o que já estava decidido – e que, enquanto a central continuar a funcionar, ninguém, dos dois lados da fronteira, seja deixado sem informação, sem proteção e sem plano”, afirma o proTEJO.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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