O Movimento Pelo Tejo (ProTEJO) alcançou o objetivo de angariar 21 885 euros numa campanha de ‘crowdfunding’ para apoiar as custas judiciais do ambientalista Arlindo Marques, a quem uma empresa de celulose acusa de danos morais e reclama 250 mil euros de indemnização. No último dia da campanha, na sexta-feira, atingiu-se os 22 mil euros de apoios, o que Arlindo Marques considera “uma grande vitória para o Tejo”.

“O resultado desta campanha de angariação de fundos é uma grande vitória para o Tejo, acima de tudo. É sinal que as pessoas estão com o Tejo e estão comigo nesta luta judicial com a Celtejo e contra a poluição do rio e dos seus afluentes”, disse o ambientalista ao mediotejo.net, pouco depois de conhecer os resultados finais da campanha.

Arlindo Marques conseguiu obter 22 mil euros de apoio para as custas judiciais no processo movido pela Celtejo. Foto: mediotejo.net

“Estamos juntos, mais fortes e mais unidos na defesa do Tejo, e tenho de agradecer este ânimo  e força suplementar que me dão neste caso, sendo que foram muitos os apoios e até muita gente anónima que contribuiu de forma muito generosa num sinal claro que as pessoas estão atentas e tão preocupadas quanto eu na defesa e proteção do nosso rio”, afirmou.

A campanha de financiamento, sob o mote “Somos Todos Arlindo Marques”, que começou a 16 de janeiro e terminou na sexta-feia às 18:00, propunha-se recolher 21 885 euros, valor que no site PPL cobre um orçamento com várias despesas inscritas que vão desde as custas processuais ao pagamento dos advogados, tendo encerrado com 101% do objetivo, ou seja, 22 mil euros provenientes de 632 apoiantes. Na quinta-feira, a plataforma registava contributos na ordem dos 19 mil euros.

Esta meta foi definida com um orçamento distribuído por comissões, custas processuais, advogados, pareceres e perícias de especialistas, deslocações, recursos judiciais e t-shirts exclusivas da campanha a oferecer aos apoiantes com donativos superiores a 50 euros.

Arlindo Marques, conhecido como o Guardião do Tejo, teve o apoio suficiente para a sua luta judicial em prol do Tejo. Foto: DR

Ao acusar a Celtejo-Empresa de Celulose do Tejo, do Grupo Altri, de responsável pela poluição do rio, a empresa de celulose instaurou no Tribunal de Santarém um processo contra o ambientalista, guarda prisional de profissão, reclamando uma indemnização de 250 mil euros por “difamação”, alegando ofensas à sua credibilidade e bom nome.

“É uma grande vitória do Arlindo, do proTEJO, e de muita gente que se revê na causa ambientalista em defesa do rio Tejo, milhares de pessoas que assumiram esta luta como sua, contribuindo nesta campanha para a sua defesa”, disse à Lusa Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO, pouco depois de conhecidos os resultados finais da campanha.

“Foram 632 a contribuir diretamente na plataforma, com montantes significativos, mas a esses há que juntar mais cerca de 2 mil pessoas que contribuíram através de almoços e espetáculos solidários, venda de t-shirts, donativos ofertados em cafés e até contributos entregues em mão. Todo esse dinheiro resultante das várias iniciativas foi depositado na conta da campanha, tendo hoje sido alcançado o objetivo”, afirmou, manifestamente agradado com os gestos de solidariedade.

O financiamento colaborativo irá, assim, suportar a defesa em tribunal de Arlindo Marques, acrescentou Paulo Constantino, sendo que o valor não utilizado no âmbito do processo será destinado à restauração fluvial do rio Tejo.

Paulo Constantino e Arlindo Marques, do proTEJO, afirmam acreditar que se vai fazer justiça em Tribunal. Foto: mediotejo.net

“Se o desfecho final do processo for favorável ao Arlindo Marques, o dinheiro angariado será investido na restauração fluvial do Tejo, repovoamento de espécies piscícolas, e, talvez, na aquisição de uma sonda para o Arlindo aferir da qualidade da água na sua condição de vigilante do Tejo”, acrescentou, tendo feito notar que a verba angariada vai ser gerida pelo ambientalista e fiscalizada pelo Movimento pelo Tejo.

“Este feito é um grande sinal da mobilização das pessoas, é um incentivo enorme para o proTEJO e uma motivação adicional para o Arlindo Marques e para todos os que acreditam e lutam por uma resolução dos problemas que afetam o rio Tejo”, enfatizou.

Natural de Ortiga, no concelho de Mação, freguesia ribeirinha do Tejo, com o qual conviveu toda a sua vida, Arlindo Marques é ambientalista, membro e secretário da mesa do Conselho Deliberativo do proTEJO, movimento que desencadeou o processo de crowdfundig que começou a 16 de janeiro e terminou hoje, sexta-feira, às 18:00, com sucesso.

Arlindo Consolado Marques, conhecido como ‘Guardião do Tejo’, denuncia a poluição no rio desde 2015, num exercício de cidadania. A sua prática é simples: com uma câmara de vídeo filma o foco de poluição ou de mortandade de peixes e publica o vídeo nas redes sociais. Mas as suas denúncias resultaram numa ação judicial e num pedido de indemnização no valor de 250 mil euros.

Arlindo Marques, o ‘Guardião do Tejo’, diz que nunca viu um cenário ‘dantesco’ como o do episódio que ocorreu a 24 de janeiro. Foto: mediotejo.net

A luta de Arlindo pela defesa do Tejo é sentida por muitos cidadãos ribeirinhos. No texto da campanha de apoio, por exemplo, pode ler-se: “Esta ação contra o Arlindo Consolado Marques é uma ação contra todos os cidadãos de Portugal e Espanha que defendem o rio Tejo e contra todos os defensores do ambiente, consistindo num ato de intimidação que tenta condicionar o direito constitucional que todos os cidadãos têm de expressar livremente a sua opinião e o dever constitucional que todos os cidadãos têm de defender o ambiente”.

Prevê-se que o processo em tribunal se prolongue por dois anos.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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