O presidente da Câmara de Sardoal considera que o sistema de depósito e reembolso Volta, apesar da sua importância ambiental, não garante uma resposta suficientemente acessível às populações dos territórios rurais, onde a distância aos pontos de recolha pode obrigar a deslocações de vários quilómetros.
Pedro Rosa (PSD) voltou a abordar o funcionamento do novo sistema na última reunião do executivo municipal, defendendo que o modelo de recolha precisa de ser mais abrangente para cumprir os objetivos a que se propõe sem penalizar quem vive longe dos principais centros urbanos.
“Eu acho que é um projeto válido, muito importante, sobretudo para o meio ambiente, mas aquilo que nós achamos é que não é suficientemente amplo e democrático, se pudermos dizer, para chegar a toda a gente”, afirmou o autarca ao mediotejo.net.
O sistema Volta entrou em funcionamento em Portugal em 10 de abril e aplica-se a embalagens de bebidas não reutilizáveis de plástico, metais ferrosos e alumínio com capacidade inferior a três litros. Na compra é cobrado um depósito de 10 cêntimos por embalagem, integralmente devolvido quando esta é entregue num ponto de recolha.
A rede nacional integra máquinas automáticas, pontos de recolha manual e quiosques. Segundo a entidade gestora, existem mais de 3.000 equipamentos instalados em estabelecimentos comerciais e mais de 8.000 locais de recolha manual. A meta do sistema é atingir uma taxa de recolha de 90% das embalagens abrangidas até 2029.
Um ponto de recolha é “pouco”
É precisamente na distribuição territorial dessa rede que Pedro Rosa encontra dificuldades para concelhos como o Sardoal.
“O sistema de recolha que existe nas zonas mais rurais acho que não se coaduna muito bem com aquilo que são os objetivos”, afirmou, apontando as dificuldades sentidas por quem vive em localidades afastadas da sede de concelho.
O presidente estendeu a reflexão a outros territórios rurais da região, embora ressalvando que caberá aos respetivos autarcas avaliar a realidade dos seus municípios.
Para Pedro Rosa, o problema coloca-se quando os consumidores pagam o depósito no momento da compra, mas depois não dispõem de uma solução de devolução suficientemente próxima para recuperar esse valor.
“Há muita dificuldade, depois de adquirirem as garrafas, poderem devolvê-las sem terem que se deslocar e fazer muitos quilómetros”, afirmou.
No Sardoal não existe atualmente uma máquina automática Volta. A devolução pode, contudo, ser efetuada manualmente num estabelecimento comercial da vila, solução que o presidente considera insuficiente para assegurar uma cobertura adequada do território.
“O sistema que existe no Sardoal é um sistema que é assegurado aqui por um estabelecimento comercial, que por força da lei tem que ter, e portanto é pouco. Precisávamos de um sistema que pudesse estar mais acessível”, defendeu.
A questão da ausência de uma máquina automática já tinha sido levantada numa reunião do executivo municipal em agosto pelo vereador socialista Miguel Alves, que alertou para as deslocações a que os habitantes poderiam ser obrigados. Pedro Rosa esclareceu então que o supermercado Meu Super, na vila, assegurava a devolução manual das embalagens e o respetivo reembolso.
Na mesma altura, o Sardoal surgia no mapa público do Volta entre 16 municípios portugueses sem qualquer ponto de recolha indicado. Questionada pela Lusa, a SDR Portugal afirmou que a plataforma estava desatualizada e que o concelho já dispunha de um ponto registado. A entidade gestora indicava então possuir pontos registados em 303 dos 308 municípios portugueses.
A recolha manual é uma das soluções previstas no sistema precisamente para estabelecimentos de menor dimensão e sem capacidade para instalar máquinas automáticas. As embalagens têm de estar vazias, intactas, identificadas com o símbolo Volta e com o código de barras legível.
Pedro Rosa garantiu que o município está atento ao problema e disponível para procurar alternativas que facilitem o acesso da população ao sistema.
“Estamos atentos e a tentar encontrar [uma solução], sermos parte da solução e não parte do problema”, afirmou.
O Volta foi lançado com um investimento estimado em cerca de 150 milhões de euros, suportado pelos produtores e embaladores, e pretende contribuir para o cumprimento das metas europeias de recolha seletiva, que apontam para 90% até 2029.
