José Cid é um dos artistas que atua na Feira Mostra de Mação. Foto arquivo: mediotejo.net

O músico José Cid foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, anunciou a Presidência da República na sexta-feira, dia 4 de janeiro.

A condecoração aconteceu no dia em que o músico, cantor, compositor e produtor musical completou 80 anos, como recorda a nota publicada no ‘site’ da Presidência da República.

José Cid nasceu na Chamusca em 04 de fevereiro de 1942 e manifestou a sua satisfação e orgulho pela distinção recebida, dando conta que irá dar em breve um concerto especial para assinalar os 80 anos de vida e o seu percurso musical.

“O dia de hoje é especial e único na minha vida: para além de celebrar 80 anos de vida, fui agraciado pelo Sr. Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, com a Comenda da Ordem do Infante D.Henrique……..É com grande alegria que partilho a notícia com todos vocês, meus amigos e fãs de uma vida!
 
Imbuído neste espírito de celebração, decidi que irei retribuir a vossa amizade e carinho com a realização de um concerto único e especial para celebrar esta distinção, os meus 80 anos de vida e, acima de tudo, a música portuguesa! Em breve darei mais notícias. Obrigado Portugal!”, concluiu.
José Cid foi condecorado com com grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Foto: Presidência da República
Em 2019, Jose Cid recebeu o Grammy de Excelência Musical, da Academia Latina de Gravação, por “contribuições de significado artístico excecional para a música latina”.
José Cid recebeu o Grammy Latino numa cerimónia em Las Vegas, nos Estados Unidos da América, em 13 de novembro de 2019. Foto: José Cid
Fundador d’Os Babies, em 1956, uma banda de ‘covers’ de sucessos da época, foi com o Quarteto 1111 que “criou as bases do rock português”, na década de 1960, como destacou a organização norte-americana dos chamados Grammys Latinos, dando como exemplo canções como “A Lenda De El-Rei D. Sebastião”, e o mais tardio álbum “10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”, de 1978, que definiu como “uma obra-prima do rock progressivo”.
 
José Cid representou Portugal em diversos festivais internacionais, designadamente em Tóquio, em 1971, na Organização Ibero-Americana de Televisão (OTI), em 1979 e 1981, e na Eurovisão, em 1980, e soma mais de 60 anos de carreira, com dezenas de álbuns e atuações regulares em festivais e concertos.
 
Canções como “Uma Cabana Junto à Praia”, “Um Grande, Grande Amor”, “Uma Lágrima”, “20 Anos” e “A Minha Música” representam alguns dos seus maiores sucessos.
 
Em 2015, o seu álbum “Menino Prodígio” foi distinguido com o Prémio Pedro Osório, em 2018, publicou “Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid” e, em 2020, recebeu o Prémio António Quadros, pela sua carreira.
 
No final do ano passado, regressou ao rock progressivo, com “Vozes do Além”, o seu 25.º álbum de estúdio, no qual canta poetas como Natália Correia e Sophia de Mello Breyner Andresen.
 
Para o verão deste ano, tem anunciada a publicação de “Tozé Cid”, álbum que materializa um projeto comum com Tozé Brito, dedicado a canções do Quarteto 1111 – de que ambos fizeram parte -, proibidas pela censura, durante a ditadura, como “Domingo em Bidonville”, “Lisboa ano 3000” e “João Nada”.
Músico José Cid tem sido distinguido com inúmeros prémios ao longo da sua carreira. Foto: CMC
Numa entrevista à Lusa, sobre este próximo álbum, em dezembro passado, José Cid disse tratar-se de um “documento importante para a música popular portuguesa”, que recupera “pop criativo, ‘underground’, interveniente e crítico do sistema entre 1968 e 1973”.
 
“No final dos anos 1960, início dos 70, existiu em Portugal o grupo mais perseguido pela censura, mais maldito, mais ousado: o Quarteto 1111”, recordou então José Cid enumerando temas censurados pelo Estado Novo como “Pigmentação”, “o primeiro que se escreve em Portugal sobre a xenofobia”, e “Todo o mundo e ninguém”, “um poema de Gil Vicente que o [‘rapper’ e produtor norte-americano] Jay-Z incluiu [no tema ‘Marcy Me’ de ‘4:44’] no último álbum dele”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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