Criado em 2017, o Portugal Air Summit tornou-se uma das principais plataformas nacionais dedicadas à aviação, aeronáutica, espaço e defesa, contribuindo para afirmar Ponte de Sor como polo aeronáutico e aeroespacial e para projetar o concelho e a região a nível nacional e internacional.
“Esta pausa é, sobretudo, um tempo para pensar, avaliar e preparar o futuro. O Portugal Air Summit não termina aqui”, afirmou o presidente da Câmara de Ponte de Sor, Rogério Alves, numa publicação nas redes sociais, assumindo que a decisão de não realizar a edição prevista para 2026 é “particularmente difícil”.
“Tenho um orgulho enorme no caminho que percorremos desde 2017 e, sobretudo, no alcance que o PAS conseguiu conquistar, muito para além daquilo que, inicialmente, poderíamos imaginar”, acrescentou o autarca, que esteve ligado à decisão de criar e realizar o evento desde a primeira edição.

A decisão surge num contexto em que o setor aeronáutico, aeroespacial e da defesa cresceu em Portugal e se multiplicaram as iniciativas dedicadas a estas áreas. Para o município e a ACIPS, essa evolução alterou o contexto em que o Portugal Air Summit nasceu, reduzindo a diferenciação que marcou o evento durante os primeiros anos.
“Não queremos fazer um evento só por tradição ou continuidade”, sublinham as entidades organizadoras, defendendo que o regresso deverá acontecer quando o certame representar novamente “uma verdadeira mais-valia para Ponte de Sor, para o setor e para o país”.
Rogério Alves considera que existe atualmente “uma saturação” provocada pela quantidade de iniciativas realizadas no país e entende que a oportunidade de diferenciação que esteve na origem do Portugal Air Summit “está neste momento esgotada”.
A pausa pretende, assim, permitir repensar o formato e a estratégia de promoção do setor aeronáutico a partir de Ponte de Sor, sem abandonar a aposta que o município tem vindo a fazer nesta área.
“O Portugal Air Summit não termina aqui”, reforçou o autarca, garantindo que a marca continuará a fazer parte da estratégia municipal e que Ponte de Sor continuará a procurar “marcar a agenda destes setores, a criar oportunidades, a atrair investimento e talento”.
Mais de 300 mil visitantes em sete edições
Ao longo das sete edições realizadas, o Portugal Air Summit reuniu mais de 300 mil visitantes, 948 oradores nacionais e internacionais e 553 empresas e entidades expositoras, tendo promovido mais de 290 milhões de euros em oportunidades de negócio, segundo os dados divulgados pela organização.










O evento terá gerado um impacto económico estimado em 11,1 milhões de euros no território e cerca de 15 mil dormidas, além de mais de 2.000 notícias publicadas e uma audiência mediática superior a 85 milhões de pessoas.
Quando foi criado, em 2017, o certame surgiu num contexto em que “praticamente não existiam fóruns dedicados à aviação, aeronáutica, espaço e, mais tarde, à defesa”, assumindo Ponte de Sor a criação de uma plataforma de debate, conhecimento e networking.
O objetivo inicial passava por colocar o concelho no mapa do setor e demonstrar a capacidade do território para acolher investimento e desenvolver um ecossistema ligado à aviação e à aeronáutica.
“Ponte de Sor conseguiu criar uma plataforma que hoje é reconhecida e respeitada pelo setor, dentro e fora de Portugal”, afirmou Rogério Alves, considerando que o objetivo inicial foi alcançado e até ultrapassado.
Ponte de Sor quer manter aposta no setor
Apesar da suspensão da edição de 2026, o município garante que continuará a trabalhar na promoção da aviação, aeronáutica, espaço e defesa e na valorização das empresas e projetos instalados no concelho.
Nos próximos meses estão previstas ações de divulgação e promoção destinadas a dar visibilidade às empresas instaladas, aos projetos em desenvolvimento e às oportunidades existentes no território, mantendo uma presença ativa junto dos principais agentes do setor.
“Ponte de Sor não é ‘só aviões’, como alguns gostam de dizer. Longe disso. Somos muito mais do que isso”, escreveu Rogério Alves, reconhecendo, contudo, que a aviação, a aeronáutica, o espaço e a defesa assumem atualmente “uma importância superlativa” no território e na estratégia de desenvolvimento do município.

A câmara e a ACIPS defendem que a suspensão da edição deste ano deve ser encarada como uma oportunidade para preparar uma nova etapa, mantendo vivo o espírito que esteve na origem do Portugal Air Summit.
“O objetivo não é repetir um modelo por tradição ou continuidade. É preservar aquilo que tornou o Portugal Air Summit relevante e, a partir dessa experiência, encontrar novas formas de criar valor, diferenciação e impacto”, afirmam as entidades.
