Kim Jong-un e Moon Jae-in | Foto: Getty Images

São recentes as imagens que nos chegam de Kim Jong-un e Moon Jae-in de mãos dadas em nome de uma união coreana. Para perceber o porquê destas imagens temos que andar uns anos para trás e recordarmo-nos porque existem duas coreias, que partilham uma península, uma cultura e uma língua.

A história da Coreia é tão antiga como a história do mundo. Em 1910 o Império da Coreia assinou um tratado de unificação com o Japão. Nesse momento e durante 35 longos anos a Coreia ficou subjugada ao poderio do Japão que lutava pela hegemonia da Ásia e semeava o terror por onde se instalava. Como mero exemplo, os japoneses proibiram os coreanos de falar a sua língua nativa e obrigaram os coreanos a adotar nomes japoneses.

Durante a II Guerra Mundial o terror agravou-se. O Japão explorou os recursos humanos e naturais da Coreia de forma desenfreada. A península da Coreia alimentou uma boa parte da máquina de guerra japonesa.

Antes do fim da II Guerra Mundial os aliados concordaram que a Coreia deveria ser um país independente. Para a libertar do jugo japonês, a URSS deveria declarar guerra ao Império Japonês e ocupar a parte da Coreia que se situava a norte do famoso paralelo 38. Com medo de que a URSS não cumprisse o acordo os EUA invadiram a parte sul da península, ficando a Coreia dividida pela primeira vez. Importante notar que em 1945 ainda não se vivia o clima de Guerra Fria, não se vendo problema nenhum na divisão das coreias pois o objectivo seria a unificação no ano de 1950. Além do que… a URSS estava mais preocupada com o leste da Europa e com os benefícios que daí adviriam.

No entanto os EUA começaram a doutrinar os sul coreanos ao seu modelo liberal e a URSS fez o mesmo com os norte coreanos, ensinando o modelo socialista. Foram eleitos líderes em ambas as coreias, responsáveis pelas negociações aquando da retirada em 1948 da URSS e em 1949 dos Estados Unidos. A Coreia estava dividida sem que se consultassem os seus cidadãos. Mais uma vez este povo estava dependente, no seu território, das decisões de estrangeiros.

Com ideologias distintas Kim Il-sung no norte e Syngmann Rhee no sul não conseguiram um entendimento, gerando um clima de tensão na península. Seguindo o exemplo da revolução socialista que ocorreu na China com Mao Tse Tung, Kim estava confiante de que os Estados Unidos não iriam intervir caso ele invadisse a Coreia do Sul.

Começou então, em 1950, a Guerra da Coreia. De um lado um exército apoiado pela China, bem armado e preparado; do outro um exército com poucos homens, mal preparado e sozinho. Face a esta realidade, os EUA com a ajuda da ONU intervieram na guerra da Coreia do lado do sul. Neste momento já estava instalada a Guerra Fria e os EUA queriam conter o avanço do comunismo. A China posicionou-se do lado da Coreia do Norte e os Estados Unidos com a Coreia do Sul.

Já cansados de guerrear, os seus exércitos delimitaram as fronteiras atuais da coreias, tendo assinado um armistício em 1953, no entanto sem haver ainda um tratado de paz.

Desde então que as duas coreias vivem separadas, como que em mundos opostos. A China tornou-se o maior aliado da Coreia do Norte, garantido a sobrevivência desse estado como tal, instrumentalizando o país e tirando proveito do seu modelo comum. A Coreia do Norte deu bastante jeito aos chineses pois foi o palco do seu plano de armamento nuclear – Certamente que um país tão pequeno e com um mercado fechado como é a Coreia não tem capacidades económicas para sustentar sozinho um programa nuclear daquela envergadura como nos fazem chegar as imagens.

Não posso alongar-me com especulações, mas olhando para os factos, Kim Jong-un quer encontrar-se com Donald Trump e isso será sinal da tão esperada abertura ao ocidente, que começou, aliás, nos Jogos Olímpicos de Inverno.

É difícil pensar numa unificação da Coreia tal como aconteceu na Alemanha mas podemos pensar em duas coreias com relações amigáveis, de cooperação em vários setores como a educação e o desenvolvimento humano. Como diz o ditado galego, o caminho faz-se caminhando, e eu acrescento que nós, certamente, cá estaremos para ver.

João Morgado

Nasceu no ano de 2000 na cidade de Abrantes. Arreigado, com muito orgulho, em Rossio ao Sul do Tejo, mas com uma enorme vontade de conhecer o Mundo. Estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior e ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Inspira-se muito na célebre frase de Sócrates (o filósofo), “Só sei que nada sei”, como mote para aprender sempre mais.

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