Foto: António Rodrigues

A população de Torres Novas tem-se manifestado contra a abertura de “buracos” na calçada, em pleno centro histórico da cidade. Nas redes sociais somam-se as denúncias e os comentários dos torrejanos que denunciam a “destruição do património” e a “desvirtualização” da zona histórica. A Câmara Municipal já reagiu ao sucedido, dando conta de que os trabalhos decorrem no âmbito da implementação do projeto “Bairro Comercial Digital – Vila”.

Também o Bloco de Esquerda (BE) veio a público criticar as intervenções desenvolvidas pela autarquia, no âmbito do Bairro Comercial Digital “Vila”, denunciando o que considera ser um “atentado” ao património histórico da cidade e o “esburacar ruas e praças em locais inadequados, prejudicando o usufruto público”.

A intervenção na Praça 5 de Outubro é apontada como o exemplo mais grave, dado que se trata de um dos principais cartões de visita da cidade.

Segundo o partido, a Câmara pretende instalar mobiliário urbano de “duvidoso gosto”, comprometendo a harmonia do espaço e o enquadramento com elementos emblemáticos como o painel de azulejos de Jorge Colaço e as Torres do Castelo.

O BE lamenta a falta de informação sobre as alterações em curso e exige que a câmara recue de imediato.

“O Centro Histórico é para respeitar, não é para destruir”, afirma o BE, em comunicado, apelando à suspensão imediata da “colocação de painéis publicitários de quaisquer outras aberrações atentatórias do património municipal”.

A Câmara Municipal de Torres Novas emitiu um comunicado onde esclarece que estão em curso, no centro histórico, diversas intervenções no âmbito do Bairro Comercial Digital “Vila”, que resulta de uma candidatura comunitária liderada pelo Município de Torres Novas, em articulação com a Nersant e a ADIRN, num investimento de mais de 700 mil euros.

“O projeto envolve cerca de 200 comerciantes do centro da cidade e, para melhorar a experiência do consumidor, prevê a implementação (além dos bancos inteligentes instalados no Jardim das Rosas e no Almonda Parque), de mupis digitais interativos que permitem a consulta de informação sobre os estabelecimentos de comércio e sobre as atividades e iniciativas a decorrer no território abrangido”.

De acordo com a nota, “uma das componentes mais visíveis dos trabalhos” em curso foi a intervenção iniciada no tabuleiro da Praça 5 de Outubro, que visou a implementação de infraestruturas, nomeadamente de rede elétrica, indispensáveis à instalação de um desses equipamentos.

“Informa-se que a estrutura a implantar estará localizada na rua Nun’Alvares, via de acesso à Praça (conforme imagem ilustrativa)”.

“De realçar que este, e todos os trabalhos de instalação de bancos, mupis e sinalética inteligente em curso e a iniciar no centro histórico são alvo do devido acompanhamento arqueológico, técnico e urbanístico. A Praça 5 de Outubro será e deverá ser sempre reconhecida como um dos “ex-libris” da identidade torrejana”, sublinha a CMTN.

O projeto Bairro Comercial Digital “Vila” visa revitalizar física e digitalmente o comércio no centro de Torres Novas, tornando-o “mais atrativo para residentes, visitantes e investidores”.

Prevê, para além da criação de um marketplace, a instalação de bancos, mupis e sinalética vertical inteligente, totens informativos e placas identificativas para cada estabelecimento aderente, sensores de estacionamento para informação em tempo real, visitas virtuais guiadas ou cacifos pick-up and collect.

A iniciativa Bairros Comerciais Digitais, cofinanciada pelo PRR e no âmbito do programa Construir o Futuro, visa “promover e acelerar a transformação digital da economia, estimulando a adoção tecnológica e modernização dos modelos de negócio locais e sensibilizando para a importância da capacitação dos trabalhadores e empresários num mundo cada vez mais digital e conectado”, encerra a autarquia.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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