praia fluvial do Agroal a 2 de agosto de 2017. Monte de seixos encontra-se do lado direito da foto, já na margem de Tomar. Foto: mediotejo.net

Em outubro de 2013 circulou pelas redes sociais um video noturno que dava conta de uma aparente descarga poluente na praia fluvial do Agroal, fronteira entre os concelhos de Ourém e Tomar, em fevereiro desse ano. A história foi recordada pelo presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, na reunião camarária de 4 de agosto, sexta-feira, quando duas pessoas se dirigiram ao executivo para criticar uma descarga de seixos a meio da tarde no rio e o mau funcionamento das ETARs de Seiça e da Palmeiria. O período eleitoral, na perspetiva de Paulo Fonseca, parece ser a razão para que o Agroal seja alvo de descargas poluentes apenas de quatro em quatro anos.

A reunião camarária de 4 de agosto recebeu várias intervenções do público. Ricardo Simões, proprietário de uma roulote na margem de Tomar, foi questionar a Câmara sobre a razão de terem entrado pelo lado tomarense, cerca das 17 horas de terça-feira, 1 de agosto, máquinas giratórias para descarregar seixo no rio. Os trabalhos obrigaram ao encerramento do comércio ambulante e danificaram a estrada, relatou, num ano em que o negócio não tem estado a decorrer pelo melhor.  “Não era nesta altura que metem lá o seixo”, defendeu, no pico do verão.

proprietário de uma roulote na margem de Tomar do Agroal afirmou -se prejudicado pela entrada de giratórias na praia a meio da tarde de uma terça-feira de agosto. Foto: mediotejo.net

Os ambulantes chamaram a GNR, mas esta só apareceu ao início da noite, e afirmam-se prejudicados por uma intervenção que, ao que lhes foi informado, partiu da Câmara de Ourém. Paulo Fonseca comentou que não estava concretamente a par desta situação e que iria pedir um ponto de situação sobre a investigação da GNR.

De seguida falou um morador que veio denunciar o mau funcionamento das ETARs de Seiça e da Palmeiria, da responsabilidade da Câmara de Ourém, que efetuam descargas poluentes para o rio Nabão. Paulo Fonseca começou por lembrar que há alguns meses houve alguém que despejou água suja em frente ao edifício camarário, criticando assim as descargas poluentes das ETARs para o Nabão. Na época foi ativada a fiscalização, que fez um vídeo sobre o curso do rio, tendo-se concluído de onde provinha a “água castanha” que era denunciada.

“Temos que ter os pés assentes na terra e cabeça fria”, afirmou Paulo Fonseca, lembrando que há quatro anos, em plena época de campanha eleitoral, surgiu um vídeo de poluição no Agroal, filmado durante uma noite de fevereiro por duas pessoas, não identificadas, que aparentemente queriam dar um mergulho nas águas geladas e se depararam com a situação. Depois do caso da água suja na porta da câmara, na terça-feira o ambientalista Américo Costa, candidato à Câmara de Tomar, fez circular novo vídeo sobre a dita descarga de seixos no Agroal, referindo que ali fora feita pela Câmara de Ourém para esconder a poluição (que as ETARs causam para o rio Nabão e Tomar).

outubro 2013

agosto de 2017

Paulo Fonseca interligou todos estes episódios, uns anónimos e outros identificados, destacando o facto de surgirem apenas em anos de eleições autárquicas. Acabaria assim a apelar para que não se desse alarido a estas situações, que têm como contexto a campanha eleitoral e prejudicam a Bandeira Azul, pela primeira vez hasteada na praia fluvial.

A oposição PSD-CDS defendeu de seguida a que se averiguasse o que se passa na praia e com o funcionamento das ETARs próximas.

O rio Nabão nasce na margem ouriense e segue para o concelho de Tomar, atravessando inclusive a cidade. Em novembro de 2016, ao fim da tarde, o rio surgiu escuro e com espuma em plena sede de concelho, sendo então as críticas apontadas às ETARs de Ourém. Este foi o episódio recente mais visível e em que as entidades concelhias mais se pronunciaram em torno da poluição.

Bandeira Azul foi hasteada pela primeira vez neste verão de 2017. Foto: mediotejo.net

O mediotejo.net contactou a GNR sobre a descarga de seixos de 1 de agosto e a eventual existência de poluição, tendo sido informado que as forças de segurança passaram pelo local cerca das 21h30 e constataram a descarga de seixo. A investigação está a decorrer, referiu, não sendo possível garantir que se tenha passado algo de ilegal no local.

O jornal passou também pelo Agroal cerca das 16 horas de quarta-feira, 2 de agosto, tendo constatado a grande afluência de veraneantes, o monte de seixos junto à ponte, do lado tomarense, mas nenhum vestígio visível de poluição ou maus cheiros que a pudessem identificar.

A denúncia é que a descarga de seixos teve como objetivo esconder a poluição das ETARs próximas. 2 de agosto de 2017 Foto: mediotejo.net

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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