Vítor Frazão sai da presidência do movimento independente que fundou, deixando a liderança com João Pereira Foto: mediotejo.net

O ex-presidente da Câmara de Ourém e líder do MOVE – Movimento Independente, Vítor Frazão, anunciou esta sexta-feira, 15 de outubro, que deixa a presidência do grupo de cidadãos que formou em 2013 e tem concorrido desde então às eleições autárquicas em Ourém. Numa conferência de imprensa, o autarca adiantou que vai continuar a ser um elemento participativo na vida da comunidade, referindo que vai retomar a “pretensão de Fátima a concelho”.

Não obstante a esmagadora vitória do PSD-CDS e a entrada do Chega, o MOVE conseguiu manter-se nas últimas autárquicas como “terceira força política” do concelho de Ourém, elegendo um deputado para a assembleia municipal e vários elementos para assembleias de freguesia. Conforme admitiu Vítor Frazão, frisando que o grande derrotado da noite eleitoral foi o PS, o movimento falhou apenas na ambição de eleger um vereador para o executivo municipal.

“Em 2018, por vontade e iniciativa próprias, anunciei à estrutura diretiva do MOVE que abandonaria o cargo, após as eleições autárquicas de 2021”, afirmou. “Continuarei Movista até ao fim da minha vida, mas, como prova de desapego do poder, anuncio, publicamente, que cesso, aqui e agora, a minha missão política e autárquica, chegando, também, o momento de passar o testemunho”.

No âmbito da sua intervenção, Vítor Frazão referiu que vai continuar a participar na vida comunitária como cidadão, adiantando que “a título pessoal e sem comprometer o Move, em tempo oportuno e sem intuitos de liderança retomarei a pretensão de Fátima a concelho. Claro, aproveitando-se a embalagem governamental de viabilizar a regionalização 2024”. 

Na presidência do MOVE assume o lugar João Pereira, o cabeça de lista à Assembleia Municipal que foi eleito como deputado. “Só te peço que, sem medo e deitando mãos à coragem, à garra, à determinação e ao empenhamento dos Movistas do nosso concelho, ombreies com os Partidos Políticos, cada vez mais descredibilizados perante a sociedade”, apelou Vítor Frazão.

Já João Pereira comentou que “muitas vezes no concelho há medo e falta de coragem de andar na política”, afirmando ser com gosto que tem feito o percurso desde 2013. Referindo que o MOVE é um movimento “para o povo”, adiantou que será nessa linha que vai continuar o trabalho desenvolvido, mantendo o movimento sempre independente. O objetivo para os próximos quatro anos é continuar a atividade política, para que consigam alcançar mais votos em 2025.

João Pereira afirmou ainda que vai apelar na assembleia a que se promovam reuniões descentralizadas pelas freguesias, a fim de promover a participação. Outra das reivindicações nas sessões plenárias será por decisões transparentes, garantiu o novo presidente do MOVE.

Numa sessão onde não faltaram as lágrimas, interveio também Anabela Pereira, a cabeça de lista à Câmara Municipal, descrevendo Vítor Frazão como um “exemplo de democracia desapegada”.

Em respostas aos jornalistas, Vítor Frazão esclareceu que a Escola Autárquica, que fundou, tem estado parada, entre outras razões pela falta de recursos financeiros. Garantiu porém que é desejo do MOVE reativar o projeto de cidadania.

No que toca ao concelho de Fátima, o ex-presidente foi alertado que o tema fora mencionado na tomada de posse da assembleia de freguesia de Fátima, questionando-se se estava envolvido nalgum movimento efetivo. Vítor Frazão afirmou desconhecer o sucedido, referindo que falara no concelho de Fátima por mote próprio, reiterando que se envolveria nessa causa – uma ambição antiga da cidade – sem pretensões de a vir a liderar.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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