Florinda Marques recebe pedidos todos os dias de roupa de inverno e cobertores para o frio de imigrantes que chegam a Portugal Foto: mediotejo.net

O frio que se acentuou nas últimas duas semanas está a deixar a Associação Mãos Unidas com Maria, localizada em Fátima, no concelho de Ourém, sem mãos a medir. Os apelos são maioritariamente de imigrantes que chegaram há pouco tempo à região, em particular do Brasil, mas também da Índia e da Roménia, que vivem em condições precárias e têm sobretudo roupa de verão. A responsável da associação de caridade, Florinda Marques, já não sabe como dar resposta a tantos pedidos de ajuda.

A 20 de janeiro, lançou um apelo público no Facebook: “Peço por favor, que partilhem esta publicação com os vossos contactos, o máximo possível. Estamos a precisar muito de cobertores ou mantas. Infelizmente estamos com noites muito frias, e parece que o mundo inteiro está a precisar de aquecimento na cama, e muitas famílias estão a vir à Associação pedir ajuda diariamente.”

Ao nosso jornal, a responsável esclarece que até tinha bastantes mantas e cobertores em armazém, mas entregou mais de uma centena desde o início do ano, e que depressa ficou sem conseguir dar resposta no pico da vaga de frio, razão pela qual decidiu lançar este apelo.

Durante a conversa Florinda Marques apercebe-se que o casal precisa também de roupa de inverno Foto: mediotejo.net

Na manhã de quarta-feira, 26 de janeiro, fez uma entrega a um casal jovem, originário da região de São Paulo (Brasil). “Chegámos há três meses, ainda vivemos de favor, de repente veio o frio e não temos roupa”, explica Murilo Nesi ao mediotejo.net.

O contacto com a instituição surgiu através de uma amiga da mulher, que entretanto descobriu que estava grávida, precisando o casal não só de cobertores e mantas, mas também de roupa quente e, em breve, de roupa de grávida e de bebé. 

“Muito frio no Brasil são 10ºC”, comenta Murilo Nesi, lembrando a manhã em que chegou ao carro e o encontrou coberto de gelo. Não estava preparado para “este” frio.

Do armazém de Florinda Marques saem muitas camisolas e casacos de inverno, face à constatação, após algumas perguntas, de que o jovem casal, ainda a instalar-se no país, tem pouco mais que roupa de primavera e ainda não sabe onde acorrer para fazer compras de forma económica.

À saída, Murílo leva dois sacos de roupas de corpo e de cama, para ele e para a companheira, ficando a indicação de que podem encontrar ali também roupa de bebé, caso precisem. O brasileiro agradece comovido a ajuda e a boa vontade da responsável da associação.

Florinda Marques está cansada e comenta que precisa urgentemente de voluntários que possam auxiliar a ação desta associação de caridade. Há um fluxo de imigrantes a chegar à região que vêm com quase nada, trazem roupa inadequada para o clima do país e encontram casas vazias, acabando muitos a dormir no chão. Parte da sua atividade tem sido pois a equipar casas com o mobiliário que vai conseguindo angariar, nomeadamente coisas tão básicas como camas e colchões. Algumas famílias trazem crianças e precisam de ajuda para se adaptarem, apesar de até terem contratos de trabalho.   

Associação precisa com urgência de voluntários para dar resposta ao trabalho de caridade Foto: mediotejo.net

A associação dá apoio a quem necessita e, ao contrário do que sucedia no passado, não tem recebido tantos pedidos de idosos a necessitar de aquecimento, mas de imigrantes aflitos. “Ligam-me e dizem-me que não têm nada, só a roupa de vestir”, refere.

Os pedidos de cobertores começaram sobretudo há duas semanas. “Já dei este ano mais de 100 cobertores, e estamos em janeiro”.

As previsões meteorológicas apontam para a continuação do tempo frio, sem chuva. Depois de duas semanas em “alerta amarelo” por causa das temperaturas baixas, com mínimas nos 2 e 3 graus Celsius, o distrito de Santarém poderá em fevereiro registar valores abaixo de zero.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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