Pedro Machado, ex-presidente da Turismo Centro, atual secretário de Estado do Turismo. Foto: mediotejo.net

Para o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, a avançar-se com um aeroporto na região Centro a aposta deve ser na base aérea de Monte Real, em Leiria, projeto que o responsável tem publicamente defendido. Respondendo a uma questão do mediotejo.net, no decorrer da conferência de imprensa do Workshop Internacional de Turismo Religioso em Fátima, na quinta-feira, 7 de março, Pedro Machado afirmou que a entidade não tem qualquer posição sobre a possibilidade da estrutura aeroportuária vir a ser construída em Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha.

O facto da companhia aérea low-cost Ryanair ter demonstrado a necessidade de ir a Fátima, no âmbito dos trabalhos deste Workshop, apresentar uma nova rota aérea para Lourdes foi considerado pelo responsável como um “sinal” de que existem condições para se debater de forma séria a construção de um aeroporto no Centro do país.

Esta “área aeroportuária” não entraria em colisão com as restantes do país, defendeu, sendo antes uma oportunidade para dinamizar o território, atualmente apostado em trabalhar o potencial do turismo religioso nas suas variadas vertentes.

Nesta linha, o Turismo do Centro defende o alargamento da base aérea de Monte Real à aviação civil, investimento que estará na ordem dos 30 milhões de euros, segundo um estudo apontado pelo responsável.

“Falta a vontade política, estão reunidas as condições”, referiu, salientando também o impacto que trará a rede de cidades santuário que começa atualmente a desenvolver-se. “Acreditamos que é a melhor solução” a curto prazo, defendeu.

O mote para as declarações do líder da Entidade Regional foi a nova rota aérea entre o santuário francês de Lourdes e Lisboa, criada recentemente pela companhia Ryanair.

“É um sinal evidente de que chegou a altura de se avançar com uma estrutura aeroportuária no Centro de Portugal, que sirva o Santuário de Fátima. Se Lourdes é viável, um aeroporto que sirva Fátima também o será”, sublinhou Pedro Machado, que preside também à Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal.

Machado lembrou ainda que em 2017, ano da visita do papa Francisco, Fátima recebeu mais de sete milhões de visitantes, segundo dados oficiais. Esse número esteve muito perto de ser atingido de novo em 2018.

O líder da Turismo Centro assegura que adaptação de Monte Real a voos comerciais “será rápida e relativamente barata”, citando um estudo da firma alemã de consultoria estratégica Roland Berger que aponta para um investimento de 25 milhões de euros em seis meses.

Para que uma operação aeroportuária seja sustentável é preciso um número mínimo de 1,2 milhões de passageiros, segundo os critérios do Instituto Nacional de Aviação Civil.

“Abrir Monte Real à aviação comercial justifica-se e é viável. Assim o poder político o queira”, concluiu Pedro Machado.

Os Workshops Internacionais de Turismo Religioso, que decorrem até sábado em Fátima e na Guarda, são organizados pela ACISO – Associação Empresarial Ourém Fátima, em colaboração com a Câmara de Ourém e com o apoio do Santuário de Fátima, do Turismo do Centro, do Turismo de Portugal e da Câmara da Guarda.

Os organizadores esperam cerca de mil participantes e mais de 40 expositores.

c/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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