Elvira Sequeira, acompanhando o Reitor e o Bispo, acabou por ser a primeira a ver de perto a escultura de Nossa Senhora Foto: mediotejo.net

Entre as 14:30 e as 20:00 de sábado, 13 de junho, a imagem original de Nossa Senhora de Fátima foi deslocada para a exposição “Vestida de Branco”, por forma a permitir aos fiéis ser observada de mais de perto. A primeira pessoa a ter esta oportunidade acabou por ser a vereadora da Câmara de Torres Novas, Elvira Sequeira, que chegou à exposição na companhia do Reitor do Santuário e do bispo de Leiria – Fátima. Um momento para recordar que foi um torrejano que ofereceu a escultura à capelinha das Aparições neste dia, há 100 anos, mas cujo rasto desapareceu, pelos menos para as entidades oficiais, após mudar residência para Lisboa.

Em 1919, estando a capelinha das Aparições concluída, Gilberto Fernandes dos Santos, um crente natural de Torres Novas, então com 27 anos, predispôs-se a adquirir para o espaço uma imagem de Nossa Senhora. A escultura chegou à Cova da Iria a 13 de junho de 1920, depois de um mês a aguardar na paróquia de Fátima, devido ao forte sentimento anti-clerical da época. O torrejano investiu em vários negócios relacionados com Fátima, acabando por se dedicar aos artigos religiosos. Em 1939 mudou-se para Lisboa com a mulher e os filhos, acabando por desaparecer da realidade de Fátima.

A imagem acabou por se tornar o símbolo de Nossa Senhora, não obstante ao longo dos anos tenham sido feitas outras imagens em teoria mais semelhantes às da aparição, uma vez que responderam às indicações diretas da Irmã Lúcia.

Mas quanto mais semelhante a imagem se tornava, mais a população resistia a uma eventual troca. A primeira, a de Gilberto Fernandes dos Santos, tornou-se para todos os efeitos a “verdadeira”.

Marco Daniel Duarte, diretor do Museu do Santuário de Fátima, contava esta história aquando a passagem do bispo D. António Marto e do Reitor Carlos Cabecinhas pela exposição “Vestida de Branco”, aquando a abertura desta já com a imagem original exposta para visitação. A primeira visitante foi Elvira Sequeira, numa representação de Torres Novas, de onde a imagem partiu em direção a Fátima há um século.

Com a fila de crentes a ultrapassar largamente as portas do edifício, a indicação é para não demorar na contemplação da imagem. Quem passa ora se perde na observação das outras representação da Virgem presentes na mostra, menos conhecidas do público, ora se ajoelha perante a imagem original, em jeito de oração.

Noutros tempos foi possível observar de perto e até tocar com facilidade na escultura, mas desde os anos 80 que esta foi colocada numa redoma de vidro e afastada dos fiéis, que a observam de longe. Como explicou Marco Daniel Duarte ao mediotejo.net, gradualmente a imagem tornou-se uma “relíquia”, demasiado preciosa para a instituição religiosa para permanecer assim tão vulnerável.

A imagem mede 1,04 metros e pesa 19 quilos. Os olhos são de vidro e nas vestes e manto foram incrustadas pedras de cristal de rocha, de vidro e diamantes, refere informação do Santuário. Da autoria de José Ferreira Thedim, a escultura fez 12 viagens com sentido cultural, três delas ao Vaticano a pedido dos Papas.

A coroa, que a imagem ostenta apenas nos dias das grandes peregrinações, foi oferecida pelas mulheres de Portugal, em 13 de outubro de 1942, e é de ouro, pesa 1,2 quilos e tem 313 pérolas e 2679 pedras preciosas. Em 1989 foi nela colocada a bala extraída do corpo de João Paulo II após o atentado em Roma.

No sábado, porém, apenas a imagem esteve para exposição. A coroa com a bala do Papa João Paulo II não foi colocada.

Representando Torres Novas, mas também a título pessoal, Elvira Sequeira afirmou uma “emoção forte” ao ver a imagem de perto. “Fomos os primeiros a receber a imagem em Torres Novas, antes de vir para Fátima”, recordou, escultura essa que “acabou por acender a fé daqueles que visitam Fátima”. “É daquelas sensações que nos enchem a alma”, comentou.

Sobre Gilberto Fernandes dos Santos, a autarca referiu que se perdeu as referências da família quando esta se mudou para Lisboa, não se sabendo se ainda existem descendentes daquele que foi o primeiro empreendedor de Fátima e um dos leigos que mais fez pela aceitação do fenómeno junto da Igreja Católica.

c/LUSA

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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