Tejo Ambiente garante 4,4 milhões de fundos europeus para modernizar ETAR do Alto Nabão. Foto: TA

A Tejo Ambiente – Empresa Intermunicipal de Ambiente do Médio Tejo vai avançar com a remodelação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Alto Nabão, localizada em Formigais, no concelho de Ourém, após a aprovação de uma candidatura ao programa Sustentável 2030, num investimento global de 5.203.286,87 euros, dos quais cerca de 4,4 milhões são assegurados pelo Fundo de Coesão.

A operação, com uma taxa de cofinanciamento de 85%, permitirá modernizar uma infraestrutura com mais de duas décadas, reforçando a capacidade de tratamento das águas residuais e contribuindo para a proteção ambiental da bacia do rio Nabão, afetada ao longo dos anos por sucessivos episódios de poluição. A conclusão está prevista até 31 de maio de 2029.

Segundo a empresa intermunicipal, a intervenção pretende responder aos problemas de sobrecarga hidráulica e à variabilidade dos caudais recebidos pela ETAR, através da modernização do tratamento biológico, reabilitação de equipamentos e estruturas existentes e reforço dos sistemas de monitorização, automação, supervisão e controlo.

Os trabalhos incluem ainda melhorias na gestão das lamas resultantes do tratamento das águas residuais, privilegiando a recuperação e valorização das infraestruturas existentes e procurando minimizar a necessidade de novas construções.

O objetivo é aumentar a eficiência e a fiabilidade do sistema, melhorar a qualidade da água tratada antes da sua descarga no meio hídrico e reduzir os riscos ambientais associados ao funcionamento da estação.

Remodelação profunda de uma infraestrutura com mais de 20 anos

A modernização da ETAR do Alto Nabão já tinha sido anunciada em outubro de 2025, quando a Tejo Ambiente lançou um concurso público com um preço base próximo dos quatro milhões de euros.

Tejo Ambiente garante 4,4 milhões de fundos europeus para modernizar ETAR do Alto Nabão. Foto: TA

Na altura, em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da empresa, José Santos, explicou que se tratava da primeira intervenção estrutural profunda desde a construção da ETAR, há cerca de 22 anos, tendo a infraestrutura sido alvo apenas de trabalhos pontuais de manutenção e melhorias operacionais.

O responsável adiantou então que o projeto previa substituir o sistema de tratamento biológico por reatores sequenciais descontínuos, complementados por um tratamento terciário com microfiltração e desinfeção ultravioleta, para aumentar a capacidade de remoção de poluentes e assegurar o cumprimento das exigências ambientais aplicáveis ao rio Nabão.

A infraestrutura trata águas residuais provenientes da União das Freguesias de Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais, bem como de Rio de Couros e Caxarias, constituindo um equipamento fundamental para o sistema de saneamento daquela zona do concelho de Ourém.

A candidatura agora aprovada eleva o investimento global da operação para cerca de 5,2 milhões de euros, com uma comparticipação comunitária de 4.419.567 euros e uma componente remanescente de aproximadamente 784 mil euros.

Poluição do Nabão motiva investimentos no saneamento

A remodelação da ETAR do Alto Nabão integra um conjunto mais vasto de intervenções destinadas a melhorar o funcionamento dos sistemas de saneamento que influenciam a qualidade da água do rio Nabão, um curso de água cuja poluição tem motivado preocupação e reclamações ao longo de várias décadas.

Em 2021, a Câmara de Tomar identificou, entre os fatores de pressão sobre o rio, descargas de atividades económicas, problemas no tratamento de águas residuais e a entrada de águas pluviais nas redes de saneamento, situação que, em períodos de chuva intensa, pode provocar caudais superiores à capacidade das infraestruturas.

Nesse contexto, foi apresentado um estudo que apontava para necessidades de investimento na ordem dos 22 milhões de euros, envolvendo a requalificação de estações de tratamento e a construção ou beneficiação de redes e emissários de águas residuais.

Mais recentemente, em julho de 2024, foi apresentada a modernização da ETAR de Seiça, também no concelho de Ourém, num investimento próximo de dois milhões de euros, considerado pelas autarquias de Ourém e Tomar um passo importante para reduzir os problemas de poluição associados ao saneamento.

Em novembro do mesmo ano, a Tejo Ambiente iniciou trabalhos preparatórios para a reabilitação dos emissários de Seiça e do Alto Nabão, incluindo limpeza de terrenos e levantamentos topográficos ao longo de cerca de 70 quilómetros de infraestruturas.

A modernização da ETAR do Alto Nabão constitui, assim, mais uma intervenção nesse esforço de melhoria ambiental, embora a própria empresa reconheça que a qualidade da água do rio depende de múltiplos fatores e fontes de pressão, não podendo a resolução dos problemas de poluição ficar dependente de uma única infraestrutura.

Tejo Ambiente garante 4,4 milhões de fundos europeus para modernizar ETAR do Alto Nabão. Foto: TA

A importância da intervenção é reforçada pela classificação do rio Nabão como zona sensível, condição que obriga ao cumprimento de exigências mais rigorosas no tratamento e na descarga das águas residuais, com vista à proteção dos ecossistemas aquáticos.

Obra com conclusão prevista para maio de 2029

Considerada prioritária no âmbito do Plano Estratégico para o Abastecimento de Água e Gestão de Águas Residuais e Pluviais 2030 (PENSAARP 2030), a remodelação da ETAR do Alto Nabão obteve parecer favorável da Agência Portuguesa do Ambiente e financiamento através do programa Sustentável 2030.

A intervenção deverá estar concluída até 31 de maio de 2029, procurando garantir maior capacidade de resposta da infraestrutura, eficiência no tratamento das águas residuais e sustentabilidade ambiental do sistema de saneamento.

Para a Tejo Ambiente, a operação representa um investimento estratégico na proteção dos recursos hídricos da região e na melhoria da qualidade da água do rio Nabão, contribuindo para reduzir a pressão sobre um dos principais cursos de água do Médio Tejo.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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