Foto ilustrativa: DR

Há falta de recursos humanos médicos no concelho de Ourém, com 13.500 utentes em cerca de 45 mil habitantes sem médico de família atribuído e sem urgência básica a que recorrer. Em reunião com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, a Câmara de Ourém e as juntas e uniões de freguesia mais afetadas deram conta do problema e apresentaram possíveis soluções. A falta de médicos é um problema nacional e apesar de um novo médico de família ter sido colocado em Ourém, mediante um concurso que terminou na última semana, nada indica, para já, mudanças a este cenário. 

A reunião contou com as freguesias de Caxarias, Urqueira e uniões de freguesia de Rio de Couros – Casal dos Bernardos e Matas – Cercal, estando presente a diretora executiva do ACES, Diana Leiria. Em declarações à comunicação social à margem da reunião camarária de 17 de janeiro, o presidente Luís Albuquerque deu alguns pormenores sobre o encontro. 

ÁUDIO | LUIS ALBUQUERQUE, PRESIDENTE CM OURÉM:

No geral, foi realizado um “reforço das nossas preocupações” junto do ACES Médio Tejo, com a sugestão que Ourém seja considera um “concelho de carência médica” ao nível da sua Administração Regional de Saúde (ARS). Quer isto dizer, segundo Albuquerque, que um médico que seja colocado em Ourém passa a ter um acréscimo na sua remuneração.

Entretanto, adiantou, o concurso de colocação de médicos atribuiu mais um profissional ao concelho, mas o presidente não soube dar mais pormenores sobre a freguesia que será beneficiada ou para quando a efetiva chegada do profissional. 

Luís Albuquerque frisou ainda que, não obstante a população sem médico de família, a maioria das extensões de saúde é servida por “tarefeiros” uma vez por semana. Apenas as extensões de saúde de Vilar dos Prazeres e Rio de Couros não têm efetivamente qualquer profissional de saúde. 

Outro problema que afeta o concelho é a ausência de uma Urgência básica, que já chegou a existir no Centro de Saúde de Ourém e foi desativada. Por tal, atualmente os utentes têm que recorrer aos hospitais limítrofes ao concelho devido a urgências simples, o que agudiza os problemas de saturação desses hospitais. Segundo Luís Albuquerque, a inexistência da Urgência está também ligada à carência de recursos humanos. 

“São reivindicações antigas, que tardam a ser resolvidas”, comentou o autarca, salientando que o problema tem que ser resolvido a partir de cima. O município pretende reunir com o Secretário de Estado da Saúde sobre este tema e com estas reivindicações assim que seja eleito um novo governo. 

Recentemente, a Direção Executiva do ACES do Médio Tejo deu conta ao mediotejo.net que faltam 23 médicos de Saúde Geral e Familiar na região de abrangência deste ACES. Abrantes, Ourém e Torres Novas são os concelhos mais problemáticos. 

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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