A vereadora do PS, Cília Seixo, único elemento da oposição ouriense, deixou na última reunião de executivo uma sugestão para que as extensões de saúde sejam concentradas em polos e os médicos passem a trabalhar em pequenas equipas. Existem atualmente mais de 12 mil utentes sem médico de família no concelho de Ourém e o último concurso ficou deserto para o território.
Face a esta realidade, a eleita socialistas constatou que tem que se começar a encarar o problema de outra forma, propondo a reorganização das extensões de saúde, concentrando-as, e colocando dois a três médicos de família, atualmente a trabalhar sozinhos em cada freguesia, a trabalhar em equipa numa mesma unidade. Para o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, estas são questões que ultrapassam a gestão municipal.
O tema foi introduzido devido ao facto da freguesia de Urqueira ter ficado sem médico de família, elevando a mais de 12 mil os utentes sem médico de família, cerca de 20% da população do concelho. Também Caxarias, Espite, Matas e Cercal, Rio de Couros e Casal dos Bernardos encontram-se sem um médico regular. O presidente da Câmara, Luís Albuquerque (PSD-CDS), leu uma declaração sobre o tema, que será remetida às entidades oficiais, inclusive ao Ministério da Saúde.
De recordar que em junho o município de Ourém inaugurou quatro novas Unidades de Cuidados de Saúde, nomeadamente no Sobral, Vilar dos Prazeres, Alburitel e Olival. As obras realizadas, no valor de 700 mil euros, permitiram recuperar velhas escolas, substituindo os antigos edifícios degradados. Na inauguração, Luís Albuquerque adiantou que o município prepara-se agora para intervir nas unidades de saúde de Caxarias e Rio de Couros, duas das extensões sem médico de família.
Na sua intervenção, Cília Seixo lembrou que foi remetida uma “carta conjunta das freguesias e do município à diretora do ACES Médio Tejo a solicitar uma reunião para resolver o assunto. No entanto, dada a situação pandémica e a falta de médicos que o SNS enfrenta, o ACES não terá soluções milagrosas para os oureenses”.
Cília Seixo considerou assim que é necessário começarem-se a ponderar soluções alternativas para a carência de médicos no território, uma vez que o município não assumiu compromissos na área da saúde. Acresce que foram abertas 12 vagas na região e apenas duas foram ocupadas, sendo que os clínicos entretanto já se foram embora. “Médicos querem trabalhar em equipas e não sozinhos”, constatou, analisando que a lógica de um médico de família por freguesia está ultrapassada e não funciona num território disperso como Ourém, onde estes acabam por sentir-se isolados.
A autarca deixou algumas sugestões: divulgar e disponibilizar mais transporte a pedido para que os utentes se desloquem a outras Extensões de Saúde ou ao Centro de Saúde de Ourém; fazer parcerias com médicos e clínicas de saúde privada existentes nas proximidades das freguesias; implementar consultas móveis que se desloquem às freguesias; criar polos com três ou quatro médicos de modo a tornar mais atrativa a sua fixação no concelho.
“Face à sua proximidade e responsabilidade com os oureenses, a autarquia deve tentar encontrar saídas para resolver este problema grave e que tende a tornar-se cada vez pior. Este é um problema local grave, de todos os oureenses e todos devem ser parte da solução. É isso que pretendemos ao apresentar aqui algumas estratégias que poderão ser discutidas e eventualmente implementadas: dar o nosso contributo para a definição de um plano estratégico de ação, de curto e médio prazo, que possa resolver o problema grave de acesso aos cuidados de saúde de um quarto dos cidadãos oureenses”, concluiu.
Face à constatação da parte de Luís Albuquerque de que Cília Seixo estava a sugerir o encerramento de extensões de saúde mediante uma reorganização das mesmas, esta salientou “não há médicos”.
“Eu sei que não é popular, mas ou as pessoas se organizam em polos” onde há duas a três pessoas a trabalhar e o município ajuda com transporte, ou, refletiu, vai estar-se continuamente a culpar o governo e a fazer obras que não serão devidamente utilizadas por falta de recursos humanos.
