Por forma a manter a atividade em tempos de pandemia, a empresa de exploração de pedra calcária em Fátima, concelho de Ourém, FILSTONE, alugou dois hotéis para os 88 trabalhadores que aceitaram não ir a casa nas próximas semanas. A empresa garantiu em resposta ao mediotejo.net que a aceitação desta medida foi “voluntária”, mas chegaram porém denúncias de coação, trabalho extra e proibição de visitar a família à página do Bloco de Esquerda, despedimento.pt.
A publicação, datada de 30 de março e atualizada na página esquerda.net, refere que os 88 trabalhadores vivem num autêntico “cativeiro”, por forma a “assegurar a continuidade da laboração da sua pedreira. Segundo as impressionantes denúncias que recebemos, a empresa contratou duas unidades hoteleiras em Fátima, onde os trabalhadores são forçados ao isolamento em todas as horas que não estão a trabalhar”.
“Neste regime de reclusão forçada, os trabalhadores estão proibidos de visitar a família, ou de receber visita da família ou outras pessoas no hotel. Um estafeta da empresa vai todos os dias ao hotel para entregar as compras solicitadas pelos trabalhadores (como alguma comida ou tabaco). As refeições (pequeno almoço, almoço e jantar) são fornecidas na pedreira ou no hotel”, continua.
“Os trabalhadores apenas saem do hotel para trabalhar, estando, ainda para mais, obrigados a uma longa jornada: de segunda a sexta, das 7h às 19h; e ao sábado das 7h às 15h. Este regime imposto pela empresa faz com que os trabalhadores sejam obrigados a prestar trabalho extraordinário diariamente, pois são transportados pela empresa do hotel para a pedreira, onde passam por local de descontaminação à entrada, e, após 12 horas, passam no local de descontaminação à saída e são novamente transportados para os hotéis. Ao domingo, dia de suposto descanso, estes trabalhadores ficam confinados ao hotel”, refere.
A despedimentos.pt fala num “clima de coação” e “ameaça constante”, uma vez que os trabalhadores terão sido pressionados a aceitar estas condições.
“As chefias ameaçam que, em caso de denunciarem a situação, serão colocados em casa sem qualquer vencimento. Acresce ainda que há vários trabalhadores que se encontram com contrato a termo prazo, para quem a ameaça de não renovação é mais um fator para inibir a denúncia. As famílias dos trabalhadores encontram-se desesperadas e, também elas, pressionadas para não denunciar esta selvajaria patronal, dado o impacto que a quebra de rendimentos originada pelo despedimento teria no contexto familiar”, adianta.
Face a um contacto do mediotejo.net a pedir o contraditório a esta informação, a FILSTONE avança que “face à propagação da Covid-19, a Filstone tem tomado diversas medidas com vista à salvaguarda da saúde e bem-estar dos colaboradores e respetivas famílias”.
Assim “uma das medidas proposta aos trabalhadores determina que mantenham a sua atividade e se instalem num hotel de 4 estrelas em regime de pensão completa, em Fátima. A medida tem por objetivo dar continuidade à atividade, assegurando, em simultâneo, todas as condições necessárias ao bem-estar dos seus colaboradores”.
“Para tal, a empresa assegura o transporte entre a empresa e o hotel e suporta todas as despesas, responsabilizando-se pela assistência médica e medicamentosa”, afirma a empresa.
A FILSTONE garante que foi realizada esta proposta a todos os trabalhadores, com exceção dos que integram grupos de risco, pais ou mães com filhos até 12 anos que tenham de ficar em casa e pessoas que integrem o regime de teletrabalho.
“Aceitaram esta medida, de forma voluntária, 88 colaboradores, o que levou a Filstone a procurar uma segunda unidade hoteleira de 4 estrelas, também em Fátima. De referir que os empregados do hotel ficaram também voluntariamente integrados”, assegura.
“Adicionalmente, a empresa disponibilizou testes de despistagem da Covid-19 a todos os colaboradores e funcionários dos hotéis, para além de equipamentos de proteção de saúde (máscaras, luvas e outras) e de outras formas de descontaminação. Todas as medidas tomadas têm como propósito salvaguardar o bem-estar dos funcionários e uma eventual exposição ao coronavírus Covid-19, sem obrigatoriedade de aceitação por parte de nenhum elemento nem de continuidade”, termina.
