Foi aprovado por maioria na assembleia municipal de terça-feira, 27 de fevereiro, a declaração de interesse público de uma ampliação da pedreira FILSTONE, localizada em Casal Farto, freguesia de Fátima.

O pedido de interesse público foi aditado à Ordem de Trabalhos no início da sessão, por proposta do presidente da mesa da assembleia, João Moura. A FILSTONE queria regularizar a ampliação de 51.800 m2 para uma zona central entre as duas pedreiras já existentes (Carrasqueira nº5 e Casal Farto nº3), mas que não se encontrava a ser explorado. O espaço fica assim unido e com uma área de intervenção de 82 mil m2.

Segundo a certidão de deliberação da reunião camarária de 30 de outubro de 2017, distribuída à comunicação social, a FILSTONE compromete-se a realizar a manutenção de caminhos públicos de acesso à pedreira, salientando-se o impacto económico da empresa, que além dos postos de trabalho (10 diretos e 25 indiretos) exporta para países como a China, Médio Oriente, Turquia e Rússia, tendo a pedra bastante procura.

O ruído e o pó, em especial o proveniente da estrada da Pedra Alva, são as desvantagens apontadas pelo parecer municipal quanto à ampliação da pedreira. No entanto, a declaração de interesse público foi considerada como tendo enquadramento no Plano Diretor Municipal (PDM), alertando-se para os impactes ambientais que “necessitam de ser minimizados”. Neste caso o ruído e o ar, “destacando-se a prioridade na pavimentação da Estrada da Pedra Alva, que a empresa Filstone se propõe a apoiar”, termina a certidão de deliberação.

O tema levantou várias dúvidas, nomeadamente da bancada do PS, pelo deputado José Alho, que destacou os problemas ambientais envolvidos. A bancada do MOVE – Movimento Independente, por seu lado, sugeriu que se realizasse uma reunião com a população para explicar esta ampliação.

O vereador Natálio Reis (PSD-CDS) adiantaria que, além das intervenções nas estradas, será assinado um protocolo com a FILSTONE para garantir o saneamento básico em Casal Farto. A questão no entanto gerou debate quanto aos impactos reais de uma tão grande ampliação e os custos que no futuro serão sentidos pelo município.

O documento acabou por ser aprovado com quatro votos contra e sete abstenções.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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