No coração da cidade de Ourém, numa antiga loja de malhas e tecidos desativada, nasceu em Dezembro a “Arte & Tempo”, a única loja de antiguidades da cidade. O proprietário é um jovem, Filipe Ricardo Vieira, 34 anos, colecionador e apaixonado pela arte do restauro, em particular de relógios antigos. Faz da vida a relojoaria, mas quis investir num negócio onde pudesse partilhar a curiosidade pelo colecionismo e pelos produtos com História. Quem passa pelo espaço dá-lhe os parabéns e refere que estava a faltar uma loja como esta em Ourém.
Partilhamos a curiosidade com os múltiplos clientes que vão entrando à medida que decorre a entrevista. “Quanto custa?” – é a pergunta mais frequente. Filipe Ricardo Vieira vende um pouco de tudo, desde antiguidades, velharias, colecionismo, artigos de decoração e mobiliário, mas também compra e realiza trocas. “Já há bastantes anos que coleciono coisas antigas, moedas, selos e mesmo carros antigos”, revela ao mediotejo.net, “sempre estive ligado a carros antigos e a clubes”. Ao longo dos anos foi-se apercebendo que não havia nenhuma casa do género na cidade de Ourém e que o facto até era lamentado pela população. “Fiz um pouco de força para abrir e as pessoas têm aderido. Felicitam-me, referem que não há nada do género na cidade, nem uma feira de antiguidades”.
“Arte & Tempo” porque Filipe Ricardo é também um especialista do tempo, passando pelas suas mãos relógios antigos, alguns dos quais tem à venda na sua loja. São peças de família, heranças, que exigem “dedicação e algum tempo perdido” no seu arranjo. Compõem nesta loja de Ourém o cenário de uma casa senhorial dos inícios do século passado, de província, com os seus tons dourados e o seu cheiro a cedro.
Na arte dos relógios, Filipe Ricardo herdou o conhecimento do pai, que já o adquirira de um tio, aquele que terá sido um dos primeiros ou poucos relojoeiros de Ourém. “Sempre trabalhei de pequeno em relojoaria e interessei-me pelas antiguidades”, sintetiza, contando um pouco da história comercial da família, de Caxarias a Ourém. Perto da loja de antiguidades trabalha assim, também, numa ourivesaria da família.
A localização da nova loja não foi escolhida por acaso. Na Rua Carvalho Araújo, perto da Igreja Paroquial, existia uma loja de malhas e tecidos que fechou há algum tempo. O espaço, com o seu estilo centenário esquecido no tempo, tão característico da zona história de uma perdida Vila Nova de Ourém, era o ideal para a conceção de negócio que Filipe Ricardo queria concretizar. Prateleiras de madeira até ao teto, balcão junto à porta, portadas estreitas e altas, salas amplas que deixam à vista do curioso todo o espólio exposto. Aqui nasceu o “Arte & Tempo”, que se encaixa sem contraste no ambiente rústico de cidade velha europeia que o rodeia.
Vender antiguidades não é para todos! São necessários contactos, sublinha Filipe Ricardo, lembrando que a loja não é o tradicional espaço comercial onde encontramos de imediato o que procuramos. É necessário investigar, encontrar a pessoa certa que tem determinado objeto antigo. “Já fui a Lisboa e ao Algarve buscar peças, outras vieram de França, algumas são entregues por vizinhos”, explica.
O preço obedece também a várias caraterísticas. A raridade é uma delas, como um gira-discos clássico que tem na exposição e que atinge os 270 euros. Um dos seus roupeiros pode chegar aos 600 euros. Mas estas são peças especiais, que têm uma história e estão bem preservadas. Cada peça é avaliada consoante este múltiplos pormenores. Há também várias peças de loiça, candeeiros, malas e até uma mesa de sueca.
“As pessoas são sempre bem-vindas, nem que seja para conversar”, termina. E é o que muitas fazem! Entram, perguntam se podem observar, questionam sobre o preço da cadeira, da mesa, do sofá em forma de chassis de automóvel. O mediotejo.net levou um antigo globo, formato candeeiro, onde ainda se veem as caravelas do tempo das Descobertas. Um daqueles negócios que não se podem recusar…



