Até 13 de maio, a Galeria Municipal de Ourém tem patente a exposição fotográfica “Fé, Olhares sobre o Sagrado”. Um trabalho do prestigiado fotógrafo Eduardo Gageiro, sobre as manifestações da fé em 70 países do mundo. A inauguração decorreu na quarta-feira, dia 28 de março, com Eduardo Gageiro a refletir sobre a necessidade de fazer ressurgir o amor entre as religiões.
1967. O Papa Paulo VI, o primeiro a visitar Fátima, traz a multidão à Cova da Iria. Eduardo Gageiro, a trabalhar como fotojornalista para órgãos nacionais e internacionais, precisava de um bom sítio para fotografar o prelado, mas não havia local para onde subir. Começou então a pedir ao cameramen da RTP que o deixasse subir para a plataforma onde se encontrava. Tanto insistiu que, a contragosto, o técnico deixou. Lá em cima, sem um bom ângulo para fotografar, começou a chamar o Papa: “Paulo, Paulo…”. Ele voltou-se, de braços abertos. A foto, uma das primeiras da sua chegada, correu o mundo.
A fotografia é uma das muitas que se encontram em exposição na Galeria Municipal de Ourém até 13 de maio e uma das muitas histórias que Eduardo Gageiro tem para contar, partilhando-a com o público presente aquando a inauguração e fazendo soltar algumas gargalhadas. O seu livro, “Fé, olhares sobre o sagrado”, resulta de uma coleção de 300 fotografias, tendo escolhido aquelas que considerou para si mais significativas para esta mostra.

“É uma grande honra expor aqui”, confessou. No concelho de Ourém “consegui captar alguns momentos muito sensíveis”. “O fenómeno da religião foi sempre um fenómeno que me intrigou muito”, admitiu, referindo que antes de se iniciar neste trabalho de recolha de perspetivas sobre a fé leu partes dos grandes livros do cristianismo, islamismo, budismo, etc. Depois “deixei-me envolver pelo ambiente”.
A sua viagem por 70 países do mundo “foi muito agradável” e frisou que foi bem recebido por onde passou. Apenas em Israel, confessou, onde foi preso duas vezes, sentiu o racismo. “Só porque fotografei um pobre palestiniano a ser despido na rua”, recordou.
“Estou a dizer isto com mágoa”, sublinhou, frisando as amizades que têm com judeus. Mas “não podemos estar a fazer colonatos na terra dos outros”. “O mundo não se endireita enquanto não houver amor” entre as pessoas, mesmo de religiões diferentes. “Sempre achei que a religião é amor”.

“Nós captamos os sentimentos das pessoas, são frações de segundos”, explicou de seguida sobre o seu trabalho. “Todas as fotografias têm uma história”.
Para além de fotografias sobre as cerimónias de Fátima, Eduardo Gageiro também tem trabalho sobre a Via Sacra de Ourém.
