Município vai adquirir Sinagoga da Vila Medieval de Ourém. Foto: DR

O executivo municipal de Ourém aprovou na reunião privada de 18 de março uma “proposta de aquisição de terreno com fachada em ruínas”, que terá sido uma sinagoga na Vila Medieval. Segundo avançou o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque (PSD-CDS), trata-se do retomar do processo de aquisição para posterior recuperação do edifício em ruínas na Vila Medieval de Ourém, onde existem vestígios de uma judiaria e onde poderá ter existido uma sinagoga.

Há perto de 30 anos que alguns historiadores locais apontam que os dois arcos ogivais incrustados num velho prédio por trás da Pousada Conde de Ourém são vestígios remanescentes da existência de uma judiaria, com respetiva sinagoga, junto ao Castelo de Ourém. Há no entanto muito ceticismo, a nível científico, quanto ao achado, e críticas pela ausência de uma investigação mais sólida.

Ainda assim, em 2016 a então Câmara PS iniciou os primeiros esforços de expropriação do imóvel para reabilitação e dedicou o Festival de Setembro à herança judaica.

Com esta votação, adiantou Luís Albuquerque (PSD), o município volta assim às negociações e ao desenvolvimento do projeto de recuperação. Segundo o presidente, há dois proprietários, um dos quais têm levantado algumas dificuldades ao município. Vai assim apostar-se novamente no modelo de expropriação para resolver o impasse.

“O turismo judaico está cada vez mais em voga, pareceu-nos interessante retomar este processo”, referiu Luís Albuquerque aos jornalistas. Questionado sobre a falta de bases sólidas para definir a estrutura como uma sinagoga, o presidente assegurou que há indícios dessa realidade e relatórios que o atestam.

Vestígios de antiga sinagoga foram descobertos nos inícios dos anos 90. Foto: mediotejo.net

Nesse sentido, a Câmara Municipal de Ourém aprovou a aquisição do terreno situado na Rua D. Afonso, IV Conde de Ourém (Vila Medieval), onde se encontra a fachada em ruínas que terá sido uma Sinagoga e que representa uma marca simbólica da presença judaica em Ourém. Após a aprovação da proposta na reunião da Câmara Municipal de 18 de março, segue-se a aquisição do imóvel avaliado em 8700€.

O imóvel está classificado como Monumento de Interesse Público e pode ser potenciado turisticamente no âmbito da Rede de Judiarias em Portugal, existindo também a hipótese de uma posterior recuperação do edifício.

De facto, as restantes fachadas do edifício apresentam um elevado risco de desmoronamento, colocando em causa a circulação rodoviária e a integridade física dos transeuntes e moradores, logo, a autarquia entende que urge tomar medidas para conter as ruínas.

Com esta tomada de posição, a Câmara Municipal de Ourém assume a responsabilidade de preservar e potenciar estes vestígios da presença judaica no concelho que integram o vasto e rico património histórico disponível na Vila Medieval de Ourém.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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