No decorrer do acompanhamento arqueológico da “reabilitação do Castelo e Paço dos Condes de Ourém e sua adaptação para espaços museológicos”, iniciado em 2019, foram recolhidos milhares de artefactos e salvaguardadas diversas estruturas, até então desconhecidos, por se encontrarem cobertos por solos escorridos ao longo dos anos, anunciou o Museu de Ourém.
O Paço foi construído por volta de 1440, por D. Afonso, o 4.º Conde de Ourém, neto do Rei D. João I e de D. Nuno Álvares Pereira (Condestável do Reino e 3.º Conde de Ourém), tendo as recentes obras de requalificação possibilitado a descoberta de “milhares de artefactos e estruturas até então desconhecidas”, como um empedrado bem conservado.
“Depois de surgirem algumas pedras dispersas, procedeu-se à limpeza manual da área, o que permitiu admirar um empedrado em bom estado de conservação, com aproximadamente 6 metros de comprimento”, refere o Museu Municipal, em nota de imprensa.
“Este apresenta-se construído com pedras calcárias, disposta em espinha, a formar um eixo central longitudinal. Após alteração das cotas do projeto, este empedrado foi salvaguardado, encontrando-se atualmente sob um piso construído em madeira de castanho, com um alçapão abrível, para que se possa proceder à sua observação”, pode ler-se na mesma informação.
No exterior, no pátio de entrada para o Paço, aquando do acompanhamento da escavação de solos, com fim à regularização da perpendicular da rampa de acesso ao túnel, surgiu uma nova estrutura, uma parede robusta com cerca de 60 cm de largura, construída com argamassa e blocos calcários irregulares, ainda com vestígios de reboco.
O Museu refere que, “provavelmente, esta parede faria parte de um conjunto muralhado que protegeria o Paço, de que a “chave” labiríntica faria parte. Atualmente esta estrutura encontra-se preservada, oculta sob a rampa de acesso calcetada”.

Monumento Nacional, o Castelo de Ourém foi conquistado aos Mouros em 1136. O conjunto patrimonial dos séc. XII e XV apresenta características ímpares de arquitetura militar românica/residencial gótica e mudéjar.
Está indubitavelmente ligado à lenda da Moura Fátima/Oureana, a D. Afonso IV Conde de Ourém e à Fundação Casa de Bragança.
