A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Ourém reuniu-se na terça-feira, 28 de janeiro, para a apresentação do relatório de 2019. Em dezembro a unidade contabilizava 112 processos ativos, mas durante o ano chegaram a existir 231. A maioria dos casos que chegam a esta comissão são de vítimas de violência doméstica, seguindo-se a negligência. Há ainda vários casos em que a criança e/ou jovem assume comportamentos lesivos ao seu bem estar.
A CPCJ de Ourém herdou um grande volume de trabalho de 2018 para 2019, explicou a presidente da comissão, Otília Simões, devido a uma “reestruturação acentuada” na estrutura e um ano “atípico”, com muitas ocorrências. Assim, apesar dos 231 processos ativos durante 2019, este findou com apenas 112.
As freguesias com mais processos registados em 2019 foram as de Nossa Senhora da Piedade (cidade de Ourém) e de Fátima; as com menos as uniões de Matas-Cercal e Casal dos Bernardos – Rio de Couros. A idade média dos jovens que receberam intervenção encontra-se nos 11 anos. A violência doméstica obteve o maior número de casos (47), seguindo-se a negligência (27) e situações em que a criança/jovem assume comportamentos lesivos ao seu bem estar (15).
Situações relacionadas com algum tipo de vício ou problemas de saúde estão muitas vezes no contexto dos casos de violência doméstica, comentou Otília Simões ao mediotejo.net. A violência doméstica também propicia os casos de negligência parental. Por outro lado, a escolaridade obrigatória até ao 12º ano tem acentuado as situações de abandono escolar.
Para responder a todas estas problemáticas, a CPCJ votou uma agenda de atividades para 2020. Uma das que terá início já em fevereiro são as formações para grupos de pais do 1º ciclo, dentro da filosofia da parentalidade positiva. O programa “Mais família, mais criança” tem já um núcleo de 56 inscritos e pretende dar ferramentas aos cuidadores para evitarem, por exemplos, os castigos mais físicos. O objetivo é que em 2021 mais de 15% dos pais do concelho tenham obtido esta capacitação.
Há ainda atividades previstas dentro das temáticas dos direitos das crianças e contra o abuso sexual. Em agenda está ainda uma palestra com um neuropsicólogo aquando a abertura do ano letivo.
