Uma pequena polémica marcou o início da sessão da Assembleia Municipal de Ourém (AMO) de sexta-feira, 26 de junho, mais uma vez num regime misto de videoconferência, apenas com os líderes de bancada presentes na sala. A imagem de Nossa Senhora de Fátima oferecida pela ACISO – uma edição comemorativa realizada em conjunto com a Imprensa Nacional /Casa da Moeda – encontra-se agora exposta na sala de sessões. Não houve debate aceso sobre o tema, mas a bancada socialista questionou a colocação da estatueta religiosa e fez notar alguma falta de coerência.
Na abertura dos trabalhos, o presidente da mesa, João Moura (PSD), referiu que a AMO havia sido contemplada com a imagem número cinco de uma edição limitada, numerada, de uma escultura de Nossa Senhora de Fátima celebrativa do centenário da imagem que se encontra na capelinha das aparições do Santuário de Fátima. Esta é uma iniciativa da ACISO – Associação Empresarial Ourém Fátima, em conjunto com a Imprensa Nacional/Casa da Moeda e o Santuário de Fátima, na sequência de uma edição anterior, em 2017, do terço do centenário.
O mediotejo.net assistiu à assembleia municipal acompanhando a transmissão em direto online (os jornalistas continuam a não ser autorizados a assistir presencialmente), tendo sido mostrada a imagem numa pequena prateleira elevada, instalada na sala onde decorrem as sessões municipais.
Após João Moura explicar o contexto da presença da imagem, o deputado José Alho (PS) questionou se a escultura estava ali presente a título provisório ou em definitivo. “Penso que há aqui uma confusão sobre aquilo que é o laicismo da administração pública”, constatou.
Referiu também que há outras imagens religiosas identitárias do concelho, que acabam por ser discriminadas por não estarem presentes. “Recordo por exemplo o São Nuno de Santa Maria, recordo a nossa Teresa do Zambujal”, enumerou, considerando que devia haver uma “separação simbólica”, criando-se eventualmente um “espaço próprio onde essas figuras do sagrado deviam estar colocadas, fora deste espaço mais institucional/administrativo”.
João Moura argumentou porém que, independentemente das crenças e da interpretação que possa ser dada à imagem, a Nossa Senhora de Fátima não é comparável aos outros santos concelhios, dada a sua importância a nível social, económico, histórico e cultural. Consideraria inclusive que a própria imagem do IV Conde de Ourém pode ser questionada nesses termos.
O autarca concluiria assim que, enquanto for presidente da AMO, a imagem vai ficar na sala.
