O presidente da Associação Portuguesa da Hotelaria de Portugal (AHP) insistiu em Fátima (Ourém) na necessidade de o setor ser incluído no pacote de 3.000 milhões de euros que o Governo anunciou para limitar os custos com os preços da energia. Sob o mote “Winds of Change”, o Congresso Nacional de Hotelaria e Turismo contou com 590 congressistas, entre 16 e 18 de novembro, superando as expectativas. O ultimo dia contou com a presença da secretária de Estado do Turismo e do Presidente da República.
“Temos a expectativa de sermos envolvidos neste dossier” de apoio às empresas para fazer face ao aumento da fatura da eletricidade e do gás, disse Bernardo Trindade no encerramento do 33.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, promovido pela AHP, que decorreu de 16 a 18 de novembro, em Fátima (Ourém).
O responsável já tinha saudado este anúncio que o primeiro-ministro, António Costa, fez no mês passado, apelado na abertura do congresso perante o ministro da Economia, António Costa Silva, para a necessidade de o setor usufruir desta ajuda também.
“Os custos com a eletricidade e gás são, depois dos custos com as pessoas, o maior custo que temos” na hotelaria, reforçou o mesmo responsável. Os 3.000 milhões de euros fazem parte do pacote de apoio à fatura energética das empresas, previsto no acordo com os parceiros sociais assinado em outubro.

Em 12 de outubro, o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, anunciou que a intervenção dos 3.000 milhões de euros nos mercados de eletricidade e de gás natural, dirigidos às empresas, permite poupanças de 30% a 31% na eletricidade e 23% a 42% no gás. Segundo o governante, as injeções são feitas este ano, para interferir nos preços do próximo ano.
“É quase certo” um novo recorde de receitas turísticas – Secretária de Estado do Turismo
A secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, mostrou-se mais confiante, em Fátima, que será “quase certo” um novo recorde de receitas turísticas no final deste ano.
No início do ano, dada a conjuntura pós-pandemia da covid-19 e início da guerra na Ucrânia, Rita Marques afirmava que o Governo tinha como objetivo chegar ao final de 2022 com uma receita turística “idêntica ou ligeiramente superior a 2019”, mas os indicadores mostram que a retoma se tem dado a um ritmo muito superior ao que era esperado.
Na sexta-feira, em Fátima, a governante afirmou: “Provavelmente, no final deste ano, celebraremos o já quase certo novo recorde de receitas turísticas”.
Em 2019, um ano recorde para a atividade turística nacional, Portugal alcançou receitas turísticas de mais de 18.000 milhões de euros.
Em setembro de 2022, segundo as contas do Presstur a partir dos dados do Banco de Portugal, as receitas turísticas atingiram 2.378,69 milhões de euros, um montante que ultrapassa em 351,7 milhões de euros o mês homólogo de 2019, pré-pandemia, e supera em 72,2% ou 997,5 milhões o setembro de 2021.
Em termos acumulados, de janeiro a setembro de 2022, as receitas turísticas ascendem a 16.747,80 milhões de euros, um aumento de 14% ou 2.058 milhões de euros face aos primeiros nove meses de 2019. Comparando com o período homólogo de 2021, a subida é de 139,2% ou 9.746,58 milhões de euros.
Ainda assim, a secretária de Estado do Turismo voltou a apontar os balanços das empresas deteriorados e a deterioração da autonomia financeira, do endividamento, recordando a necessidade de continuar “a trabalhar com as empresas”, bem como as linhas de apoio já disponíveis.

“Ontem [quinta-feira] falávamos muito do futuro e das incertezas (…), ma eu não desassossego com a mudança. A mudança é uma oportunidade para fazermos melhor”, disse.
A secretária de Estado do Turismo, do Comércio e Serviços, Rita Marques, falava na cerimónia de encerramento do 33.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), em Fátima.
“Há uma marca fortíssima chamada Portugal” e “é bom” que não se menospreze o turismo – PR
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no congresso que a marca Portugal é “fortíssima”, apelando para que não se menospreze o turismo, setor que, em crises, é o último a fechar portas e depois o primeiro a abrir.
O Presidente da República falava na cerimónia de encerramento do 33.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), em Fátima.
“É bom não menosprezar o turismo. […] Na hora da verdade, é o último a encerrar portas e o primeiro a abrir portas logo que pode”, afirmou o Presidente da República, referindo “o mérito” dos empresários do setor na reação ao desconfinamento da pandemia de covid-19, competências que levaram a uma tão rápida recuperação turística, mencionou.
“É um mérito vosso. Como é que conseguiram colocar um setor a funcionar como se estivessem preparados para aquele tipo de arranque [procura a subir mais do que o esperado]?”, questionou.

Ao longo do ano, vários indicadores, como as receitas turísticas, têm demonstrado que a recuperação do setor se deu a um nível superior ao estimado.
Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que “o turismo é uma aventura”, com a população a oscilar entre os céticos, que vão dizendo que “há turismo a mais”, que sempre que o país regista mais turistas “aumentam preços, criam-se problemas aos residentes (…)” e que por isso vão considerando que se tem “que começar a pensar em colocar limites ao turismo”, passando pelos intelectualmente mais elaborados – “o turismo é importante, mas não exageremos, uma economia que vive só do turismo é manca” –, até aos que consideram que é essencial, que o turismo é mesmo “a alavanca” de todo crescimento económico.
O Presidente da República diz que tem que “haver um equilíbrio”, nomeadamente na ‘bolha política ou mediática”, semelhante ao que caracteriza o povo português. “Há uma marca fortíssima chamada Portugal”, que é conhecida em todos os continentes, sublinhou.
“Está firmada. Podemos fazer muito mais. Mas está garantida. Portugal é turismo, entre muitas outras coisas, mas destino atrativo a escolher é Portugal”, sublinhou o Presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o desconfinamento pós pandemia foi essencial para consolidar esta marca, pois o país foi visto “no mundo como tendo gerido bem a pandemia”, mesmo “quando houve momentos em que pareceu que não estava a ser tão bem quanto isso”.
O balanço final, sublinhou, “correu muito bem” e beneficiou a credibilidade do turismo e depois o investimento externo. Acresce o modo como o país tratou a pandemia, que também aqui “consolidou a ideia de que em Portugal há estruturas de saúde que funcionam bem”.
“A segurança na saúde é fundamental, uma garantia crucial para o turismo”, acrescentou. Recentemente, Portugal ‘beneficiou’ “com a guerra da Ucrânia como beneficiou da Segunda Guerra Mundial”, disse. “Num período de incerteza qual é o local onde poderemos encontrar segurança? Que é perto, mas suficientemente longe?”, exemplificou.
Estas realidades permitiram “a rapidez na retoma do turismo”, cujo “arranque era fundamental” e que teve uma célere e competente resposta por parte dos empresários, elogiou.

“Só se recupera facilmente se houver capacidade de recuperação. E nisso nós portugueses somos muito bons e no turismo excecionais. É um mérito vosso”, reiterou.
“Entre o meu realismo e otimismo…estou mais otimista, apesar do contexto”, concluiu o Chefe de Estado.
AHP escolhe Madeira para próximo congresso no 1.º trimestre de 2024
O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Bernardo Trindade, anunciou que o próximo congresso da associação irá decorrer na Madeira e, apenas, no primeiro trimestre de 2024.
Este “foi um congresso rico, cheio de iniciativa, um congresso com muitas e boas propostas”, disse Bernardo Trindade no encerramento do 33.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, promovido pela AHP, que decorreu de 16 a 18 de novembro, em Fátima.
Bernardo Trindade explicou que, no próximo ano, a AHP irá, no segundo trimestre, realizar o primeiro Marketplace AHP, procurando juntar os associados aos parceiros.
Assim, e porque “o ano de 2022 é irrepetível”, o responsável afirmou que o 34.º congresso da hotelaria e turismo irá acontecer no primeiro trimestre de 2024 na Região Autónoma da Madeira.
C/LUSA
