Embaixador da Coreia do Sul visitou o workshop de comida coreana realizado pela EHF Foto: mediotejo.net

O elevado custo dos hotéis em Lisboa e no Porto estará entre as razões pelas quais os turistas sul-coreanos pernoitam em Fátima, que oferece preços mais competitivos aos grupos que se deslocam a Portugal e aproveitam para ver o Santuário de Fátima, um dos símbolos do país, adiantou esta quarta-feira, 6 de junho, o Embaixador da Coreia do Sul em Portugal, Chul Min Park.

O responsável visitou a Escola de Hotelaria de Fátima (EHF) no âmbito de um workshop de comida coreana realizado pela instituição, que procurou dar assim resposta aos apelos dos hoteleiros em obter formação sobre um tipo de hóspede que muitas vezes não compreendem.

Portugal recebeu em 2017 cerca de 120 mil sul-coreanos, segundo dados avançados por Chul Min Park, dos quais cerca de 50 mil dormiram em Fátima. A perspetiva é que este ano o número suba para 150 mil visitantes a nível nacional.

O Santuário de Fátima é um dos atrativos da visita, mas um dos factores da pernoita será o baixo custo dos hotéis na localidade. “O turismo está a crescer” no país, constatou, e os preços em Lisboa e no Porto são muito altos.

Uma dieta alimentar com mais vegetais e molhos picantes constitui um desafio para os hoteleiros de Fátima Foto: mediotejo.net

Neste momento a visita a Fátima é muito curta, sendo a localidade apenas a paragem da noite em viagens de uma semana pela Península Ibérica. Tal deve-se também ao facto dos voos da Coreia do Sul aterrarem sobretudo em Madrid e Barcelona, fazendo-se a viagem até Portugal de autocarro. Voos diretos para a capital poderiam permitir alterações a este paradigma. Mas “estamos num caminho positivo”, frisou.

Segundo o Embaixador, Portugal “é um país fantástico” que possui vários atrativos, o que cativa os sul coreanos. Desde a comida, o bom clima, passando pelo acolhimento e a diversidade de espaços a visitar.

Este primeiro workshop de comida coreana foi uma resposta da EHF aos apelos dos hoteleiros em receberem formação sobre o tipo de comida que mais se adequa ao turista sul-coreano, face ao choque gastronómico que encontram em Portugal. A atividade esgotou rapidamente, pelo que deverá realizar-se novo workshop no próximo ano letivo.

Embaixador da Coreia do Sul visitou a EHF Foto: mediotejo.net

O aumento de turistas sul-coreanos tem-se feito sentir em Fátima desde há sensivelmente seis anos e coloca novos desafios aos hotéis. Marisa Rosa, responsável do Hotel Estrela de Fátima, explicou ao mediotejo.net a importância da iniciativa da EHF, uma vez que os hotéis se tentam aproximar das necessidades dos clientes. “Até com os pequenos-almoços, tentamos colocar mais legumes”, exemplificou, uma oferta mais próxima dos hábitos alimentares coreanos.

Neste momento, adiantou, os grupos de sul-coreanos são bastantes frequentes no hotel, constituindo o grosso dos clientes durante a época de inverno. O interesse deste turista, constatou, até se foca mais nas bebidas alcoólicas nacionais, como o vinho do Porto ou a cerveja, que propriamente na comida. “Têm curiosidade em experimentar vinhos de graduação alta”, referiu. Na gastronomia o interesse vai para o peixe, com incidência no bacalhau, e na fruta fresca. Mostram também um grande interesse pelo café.

Os participantes do workshop receberam formação do Chef Paulo Morais, um especialista em gastronomia asiática, que deu a conhecer os ingredientes mais comuns na comida coreana e ensinou a preparar um conjunto de pratos da gastronomia daquele país. A formação contou ainda com a participação de Sara Reis, jovem licenciada em marketing turístico que viveu durante um ano na Indonésia, tendo viajado pelo sudeste asiático, que transmitiu alguns conceitos sobre as populações e as culturas daquela região.

“Este workshop é uma necessidade”, frisou Carina João Oliveira, diretora da INSIGNARE – Associação de Ensino e Formação. O crescente aumento de turistas sul-coreanos criou uma necessidade de os hotéis de adaptarem a uma nova cultura, com hábitos alimentares diferentes. Quais os ingredientes mais apreciados e que tipo de comidas comem são das questões mais vezes colocadas pelos hoteleiros à EHF, que procurou com este workshop dar uma resposta.

 

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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