O projeto dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS) – uma rede organizada de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e equiparadas – está a poucos meses do fim e questiona-se o futuro destes organismos, criados em tempo de crise com fundos europeus para apoiar na procura de emprego, capacitação social e apoio à família. Para Renato Bento, diretor da Segurança Social de Santarém, a continuidade destas instituições ainda é incerta, afirmando que para permanecerem é necessário que “façam diferente e façam melhor que a administração central”.
Os CLDS, que tinham a duração prevista de três anos, formaram-se em vários municípios pelo país com o apoio da Segurança Social, no objetivo de unir o esforço das IPSS e entidades similares em promover a capacitação das populações num momento de fragilidade económica. Esta sexta-feira, 25 de maio, os CLDS do Médio Tejo e Lezíria do Tejo reuniram-se na junta de freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, em Ourém, para um Encontro de reflexão e partilha.
A abrir, o promotor do CLDS de Ourém, a APDAF – Associação para a Promoção e Dinamização do Apoio à Família, através de Bruno Pereira, constatou que ao longo de três anos “desbravámos caminho” na procura de soluções para os três eixos do organismo: intervenção familiar e parental preventiva da pobreza infantil; capacitação da comunidade e das instituições; apoio a emprego, formação e qualificação.
Mas “passados três anos, o que nos espera?”, questionou, uma vez que a cerca de quatro meses do fim do projeto ainda não se sabe se terá continuidade. Proporia assim que seja mais uma vez a APDAF a liderar a procura de soluções para o futuro.

Da parte da Câmara de Ourém, o presidente Luís Albuquerque salientou que o CLDS “é um projeto importante” nas áreas em que desenvolveu a sua atividade. O autarca adiantou que desde há três anos o número de desempregados desceu de 1651 para 757 no município, o que “parece-me significativo”, defendendo a continuidade do projeto.
Já Renato Bento começou por elogiar a iniciativa do Encontro, comentando que “é bom nós pararmos para fazermos uma reflexão daquilo que estamos a fazer”. Lembraria assim que os CLDS foram criados num contexto de crise económica significativa, com taxas de desemprego elevadas, tendo sido a criação destes organismos uma “opção política” da época.
“Nada melhor que os próprios territórios para se criarem estruturas que vão ao encontro das populações”, concordou, numa linha de combate ao isolamento e exclusão social. “Para mim é particularmente importante perspetivar a continuidade dos CLDS”, afirmou.
Para tal acontecer, alertou, é necessário porém ultrapassar vários desafios. Entre eles está a sobreposição de atuação de várias entidades, que são afinal de cariz privado, com as entidades públicas, nomeadamente no que toca ao apoio à empregabilidade. “Temos que saber arrumar as competências de cada entidade”, defendeu.
Outro desafio à continuidade é a necessidade dos CLDS criarem um “forte impacto nos territórios”.
“Fazer diferente e melhor que a administração central”, reiterou Renato Bento, considerando os CLDS “verdadeiros atores” das políticas públicas. Só assim se poderá ir ao encontro do sucesso, defendeu.
