*retificado às 19h46 de 16 de janeiro de 2017
A ACISO – Associação Empresarial Ourém Fátima apresentou na quarta-feira, 10 de janeiro, o seu balanço do ano de 2017, centenário das aparições de Fátima, numa sessão que contou com a presença da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho. Os dados dos hotéis ainda não estão fechados, mas a informação do Instituto Nacional de Estatística (INE) já permite uma antevisão. Num ano em que não se sentiu a sazonalidade, Fátima terá ultrapassado a expetativa dos 8 milhões de visitantes, mais de 1 milhão de dormidas e uma ocupação hoteleira a atingir os 40%.
A antevisão foi deixada pelo vice-presidente da ACISO, Alexandre Marto, que começou por salientar o “crescimento sustentável” que Fátima tem vindo a verificar nos últimos anos. Alguns dos países que visitam Portugal vão quase na sua totalidade a Fátima, como é o caso da Coreia do Sul, onde 94% dos turistas que visitam a zona centro passam pela cidade religiosa.
2017, frisou Alexandre Marto, foi “um ano extraordinário” e apesar dos números finais dos hotéis não estarem ainda fechados é possível fazer algumas projeções. Com uma oferta atual de 8.347 camas, Fátima tem-se regularizado ao nível dos registos hoteleiros e aumentado a qualidade. No ano em que o Papa canonizou Francisco e Jacinto Marto prevê-se que se tenha ultrapassado o 1 milhão de dormidas.
O mesmo otimismo é refletido noutros números. A linha dos 8 milhões de visitantes, estimativa que o município sempre apontou, também terá sido ultrapassada, com a ocupação hoteleira a conseguir atingir os 40%, perspetivou.
Alexandre Marto não esqueceu porém todo o trabalho realizado pela ACISO na promoção de Fátima além fronteiras, assim como nos filmes, catálogos e flyers que desenvolveu para divulgar o potencial turístico da região. Para 2018 o objetivo é continuar com este trabalho, com um plano de visita a países como a Índia, a Colômbia, Filipinas, México e, mais uma vez, a Coreia do Sul. O orçamento estimado para este projeto é de 463 mil euros, adiantou, que deverá ser alvo de uma candidatura, com o apoio da Câmara de Ourém e do Turismo de Portugal.
No final da intervenção foi assinado um acordo de intenções entre a ACISO e o município, por forma a renovar o já existente entre as duas instituições.
Sublinhando 2017 como “histórico” para o turismo, Ana Mendes Godinho referiria, à margem deste balanço, que metade das receitas turísticas do último ano foi alcançada em época baixa, o que demonstra que é possível ultrapassar o “mito da sazonalidade” turística em Portugal. A governante disse que os dados disponíveis até final de outubro apontam para que 50% das receitas turísticas em 2017 tenham sido produzidas “nos meses de época baixa”, o que prova que “é possível trabalhar para alargar a atividade ao longo de todo o ano”.
A secretária de Estado sustentou que o turismo religioso tem sido “fundamental” na estratégia de garantir atratividade a todo o país, destacando o ano de 2017 na Cova da Iria – com a visita do Papa Francisco e as comemorações do Centenário das Aparições – que permitiu “afirmar cada vez mais internacionalmente Fátima como um destino turístico de referência” e atingir mercados onde Portugal não conseguia chegar, como a Coreia do Sul ou as Filipinas e outros destinos como a Polónia, Itália, EUA ou Brasil.
“Fátima ser também um instrumento de promoção de Portugal nestes destinos e ser também um símbolo de Portugal como um país tolerante, aberto a todos, ecuménico, é um sinal político deste país que consegue ligar continentes e ser um país aberto ao mundo”, argumentou.
Questionada sobre se ao nível de turismo religioso, a ano passado não foi um fenómeno isolado, fruto da visita papal, Ana Mendes Godinho respondeu que, em 2017 em Fátima, o turismo “aconteceu durante todo o ano”. “Não aconteceu só durante a visita do Papa, aconteceu durante todo o ano porque também houve atividades e capacidade de criar eventos que trouxessem as pessoas aqui. O que temos de perspetivas para 2018 é que esta tendência chegou para ficar”, frisou a secretária de Estado.
“Foi um ano extraordinário”, sublinharia também Domingos Neves, presidente da ACISO, destacando que “Fátima é uma marca mundialmente conhecida”. O responsável afirmou que a própria TAP começa a ver a cidade religiosa como um local de “referência”, servindo de apoio quando Lisboa já não consegue suprir as necessidades de alojamento turístico.
c/LUSA
