Ourém, um dos concelhos da região com maior número de casos de psicoses afetivas, esquizofrenia, perturbações depressivas e abuso crónico de álcool, vai ter uma Equipa Comunitária de Saúde Mental a trabalhar com a população adulta a partir de novembro.
A resposta a este problema de saúde surge através de um protocolo assinado recentemente entre o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) e a Câmara Municipal de Ourém, que viabiliza a operacionalização de uma Equipa Comunitária de Saúde Mental no Centro de Congressos de Ourém, espaço onde se irão desenvolver parte das atividades da Equipa, a partir do dia 15 de novembro, em simultâneo com as que já são realizadas no Centro de Saúde de Ourém.
Em nota de imprensa, a Câmara de Ourém deu conta que um estudo da Saúde Mental na Lezíria e Médio Tejo, reportava, em 2015, que Ourém estava entre os quatro concelhos com maior número de casos de psicoses afetivas, esquizofrenia, perturbações depressivas e abuso crónico de álcool. Mais recentemente, o relatório do Conselho Nacional de Saúde, indica que Portugal está no topo da lista de países europeus com mais casos de perturbações psiquiátricas, como depressão ou demência.
Perante os factos e a gravidade dos números, o município de Ourém tem vindo a consolidar estratégias e a aumentar respostas ao nível do diagnóstico, prevenção e intervenção, sendo que o objetivo passa por proporcionar o acesso a tratamento adequado, acompanhamento, reabilitação e apoio social a quem vive com doença mental, bem como aos seus familiares e cuidadores.
Neste sentido, e tendo em conta que o trabalho desenvolvido pelo serviço de Psiquiatria do CHMT foi reconhecido pelo Plano Nacional de Saúde Mental tendo sido selecionando para receber uma Equipa Comunitária de Saúde Mental para a População Adulta (ECSM-PA), a mesma está em funcionamento desde maio deste ano no Centro de Saúde de Ourém, alargando agora a resposta do serviço, através deste protocolo.
As equipas comunitárias são constituídas por médicos psiquiatras, psicólogos clínicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e administrativos, e repartem a sua atividade assistencial em consultas externas, visitas domiciliárias, no treino de atividades de vida diária e no desenvolvimento do início de programas individualizados de reabilitação na doença mental grave.
As Equipas Comunitárias de Saúde Mental, pela sua proximidade e acessibilidade, intervêm igualmente junto de grupos vulneráveis e famílias, em parceria com as autarquia, IPSS, e outros, envolvendo um trabalho em rede entre os cuidados primários, hospitalares e estruturas na comunidade.
