Depois de vários adiamentos, começou a ser julgado esta segunda-feira, 17 de janeiro, o homem que atropelou três crianças em Ourém. Foto: mediotejo.net

Depois de vários adiamentos, começou a ser julgado esta segunda-feira, 17 de janeiro, o homem que atropelou três crianças que andavam de bicicleta numa rua entre Alvega e Atouguia, no concelho de Ourém, em 2015, e fugiu sem prestar auxílio. Segundo a Rede Regional, que assistiu à sessão no Tribunal de Santarém, o homem de 57 anos não soube explicar o seu comportamento no local do acidente, referindo que ficou “muito desorientado” e “confuso”. As crianças, agora adolescentes, não se lembram do que se passou devido ao trauma. 

O julgamento esteve para iniciar em 2020, mas o arguido e as companhias de seguros pediram perícias ao estado atual das vítimas. O início do processo sofreu sucessivos adiamentos, tendo apenas iniciado esta segunda-feira, seis anos e meio depois dos acontecimentos. 

O caso remonta a 16 de agosto de 2015. Três jovens, entre os 12 e os 14 anos, estavam a andar de bicicleta nas proximidades das suas casas quando o ocorreu o atropelamento, pelas 17h00 de um domingo, na estrada entre Alvega e Atouguia, na freguesia de Atouguia, concelho de Ourém. Um dos jovens foi transportado de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, tendo os outros dois sido encaminhados para o Hospital Pediátrico de Coimbra, todos em estado considerado grave. 

O condutor fugiu sem prestar auxílio, tendo-se entregado no dia seguinte à polícia. 

Em tribunal, adianta a Rede Regional, o homem, um motorista de pesados, disse ter ficado “muito desorientado” e “confuso” após embater nos jovens, não tendo apresentado “qualquer razão plausível para a fuga ao coletivo de juízes do Tribunal de Santarém”.

A mesma fonte refere que o réu admitiu ter “bebido um copo de vinho num café da aldeia, antes do acidente, mas garantiu estar em condições de conduzir, e que o fazia a uma velocidade inferior a 50 km/h, ao contrário do que sustenta a Acusação do Ministério Público (MP), onde se lê que seguia em excesso de velocidade, no interior de uma localidade e numa curva apertada com pouca visibilidade”.

Também contraditória foi a afirmação de que o embate se deu na faixa de rodagem, sendo esta desmentida por várias testemunhas que apontaram que este se encontrava fora de mão.

Nesta primeira sessão foram ouvidas ainda as três vítimas e a irmã de uma delas, que testemunhou o acidente. A jovem, atualmente com 19 anos, referiu que o condutor “nem sequer travou” antes de atropelar o irmão e os amigos, que seguiriam do lado correto da estrada.

Dois dos jovens atropelados testemunharam que não têm qualquer memória do acidente, devido ao trauma físico e psicológico.

O arguido encontra-se a responder por um crime de omissão de auxílio e apenas dois de ofensa à integridade física por negligência, um vez que um dos jovens apresentou desistência de queixa na parte criminal do processo.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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