A população escolar em Ourém aumentou 1,43% face aos 7.499 alunos de 2025/2026, enquanto o número de turmas passou de 345 para 354. Foto: CMO

A população escolar aumentou 1,43% face aos 7.499 alunos de 2025/2026, enquanto o número de turmas passou de 345 para 354, uma subida de 2,61%, segundo dados fornecidos ao mediotejo.net pelo Município de Ourém.

Dos 7.606 alunos, 1.263 frequentam o pré-escolar, 1.904 o 1.º ciclo, 1.018 o 2.º ciclo, 1.495 o 3.º ciclo, 935 o ensino secundário regular e 991 o ensino profissional.

O maior crescimento ocorre no 2.º ciclo, que recebe mais 63 alunos, uma subida de 6,6%, acompanhada pelo aumento de 42 para 45 turmas.

“Os dados deste ano são positivos e merecem ser analisados com atenção. Temos mais 107 alunos e mais nove turmas, verificando-se crescimento em todos os níveis de ensino”, afirma o presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque.

Para o autarca, esta evolução obriga o município a acompanhar a capacidade dos equipamentos escolares e a antecipar necessidades futuras, tendo em conta a evolução demográfica e a procura.

“Uma rede escolar não pode ser planeada apenas em função da realidade de hoje. Tem de considerar a evolução demográfica, a procura, as características de cada território e aquilo que podemos razoavelmente prever para os próximos anos”, sustenta.

Quase um em cada cinco alunos é estrangeiro

A população escolar estrangeira volta também a aumentar no concelho, passando de 1.415 para 1.444 alunos, mais 29 do que no ano anterior.

Os estudantes estrangeiros representam atualmente cerca de 19% da população escolar e são provenientes de 52 nacionalidades.

O município considera que esta diversidade tem contribuído para a evolução da comunidade escolar e enquadra o aumento global de alunos numa realidade territorial marcada pela capacidade de Ourém para atrair e fixar famílias.

Ainda não existem, contudo, dados consolidados que permitam determinar quantos dos 7.606 alunos residem no concelho e quantos se deslocam de municípios vizinhos, nem estabelecer uma comparação suficientemente sustentada entre as cidades de Ourém e Fátima e as freguesias de características mais rurais.

Luís Miguel Albuquerque, presidente da CMO. Foto: CMO

Mais professores e funcionários e cerca de 700 mil refeições

A comunidade educativa conta este ano com 680 docentes e 310 trabalhadores não docentes, respetivamente mais 10 e mais 12 do que no ano letivo anterior.

O município assegura, no âmbito das competências que lhe estão atribuídas, serviços como manutenção dos estabelecimentos, refeições, transportes e ação social escolar.

Estão previstas cerca de 700 mil refeições durante o ano letivo, confecionadas localmente, sendo gratuitas para os alunos abrangidos pelo escalão A da Ação Social Escolar e comparticipadas em 50% para os estudantes do escalão B.

Atualmente, 570 alunos beneficiam do escalão A e 820 do escalão B.

Novo ano letivo em Ourém iniciou com receção a docentes no Teatro Municipal de Ourém. Foto: CMO

Ourém, pela extensão do território e dispersão da rede escolar, enfrenta ainda uma organização particularmente exigente dos transportes, procurando o município ajustar os circuitos aos horários e às necessidades dos alunos, sobretudo nas freguesias mais afastadas dos principais centros urbanos.

“A dispersão territorial é uma realidade que temos de gerir, mas não pode transformar-se num fator de desigualdade no acesso à educação”, afirma Luís Miguel Albuquerque.

Escolas com intervenções de 650 mil euros

O arranque do ano letivo ocorre também com várias intervenções de reparação e melhoria dos estabelecimentos escolares, algumas decorrentes dos estragos provocados pela depressão Kristin.

Segundo a autarquia, encontram-se em curso investimentos no valor de cerca de 650 mil euros e existem procedimentos de aproximadamente 1,25 milhões de euros destinados à recuperação e melhoria das condições de segurança, conforto e funcionamento das escolas.

Apesar dos danos provocados pelo temporal, o município assegura ter sido possível garantir o funcionamento dos estabelecimentos e manter simultaneamente o investimento na qualificação do parque escolar.

A rede passa este ano de 345 para 354 turmas. O pré-escolar sobe de 59 para 60, o 1.º ciclo de 93 para 95, o 2.º ciclo de 42 para 45, o 3.º ciclo de 68 para 70 e o secundário regular de 38 para 39. O ensino profissional mantém 45 turmas.

Neste último estão inscritos 991 alunos, mais 0,51% do que no ano anterior, mantendo uma expressão significativa no concelho e uma oferta que o município relaciona com as necessidades de qualificação de um tecido empresarial que considera particularmente dinâmico.

Literacia financeira chega às AEC

Entre as novidades do ano letivo está a introdução da literacia financeira nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC), durante um semestre.

“A escola deve acompanhar a transformação da sociedade e proporcionar, desde cedo, competências úteis para a vida”, defende o presidente da Câmara.

Mantém-se igualmente o Centro Local para a Promoção do Sucesso Educativo, estrutura municipal dedicada à prevenção do insucesso, absentismo e abandono escolar precoce, assim como projetos como o Musicalmente Falando, dirigido às crianças de cinco anos, e a Brigada do Desperdício Zero, destinada aos 2.º e 3.º ciclos e secundário.

Na vertente social, além das refeições escolares, os alunos do 1.º ciclo dos escalões A e B têm apoios para fichas, material escolar e visitas de estudo. O município disponibiliza ainda transporte para uma visita de estudo a todos os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo e mantém vouchers para utilização no comércio local no período do Natal.

Para Luís Miguel Albuquerque, o principal desafio do novo ano letivo resulta precisamente do crescimento e da crescente diversidade da população escolar.

“Os números são importantes, mas o nosso objetivo não é simplesmente ter mais alunos. É garantir que cada um dos 7.606 alunos que hoje frequenta as nossas escolas encontra em Ourém condições para aprender, crescer e construir o seu futuro”, conclui.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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