Assembleia Municipal de 25 de abril de 2019 Foto: mediotejo.net

Embora a data tenha sido decidida por maioria em conferência de líderes, conforme explicou o presidente da Assembleia Municipal de Ourém, João Moura (PSD), realizar uma sessão ordinária no feriado do 25 de abril, quinta-feira, não agradou ao PS, que afirmou várias vezes durante a reunião, e pediu para ficar expresso em ata, que o fazia “sob protesto”. Se para os socialistas se está a banalizar a data, para o restante elenco municipal a sessão ordinária dignificou o dia.

Todas as bancadas lembraram nos seus discursos, através de diferentes abordagens, as conquistas proporcionadas pelo 25 de abril.

A sessão realizou-se excecionalmente às 10h00 (tradicionalmente decorre ao fim da tarde) e alongou-se para além da hora de almoço, uma vez que se discutiram temas pertinentes para o município, como o relatório de gestão de 2018 e a compra da participação privada da Fatiparques. O PS manteve uma atitude discreta nas interpelações ao presidente da Câmara, não se pronunciando, facto que seria comentado com algum humor por Luís Albuquerque (PSD-CDS).

Mas, no tópico relacionado com as intervenções de interesse local, o deputado José Alho (PS) foi o primeiro a tomar a palavra, afirmando que os socialistas participavam na sessão “sob protesto”, considerando que a data deveria ser respeitada com outra dignidade (por exemplo uma Assembleia Municipal meramente celebrativa e não ordinária) e que se estava a banalizar a data. O autarca criticou também, no geral, o programa celebrativo do 25 de abril do município de Ourém, realizando de seguida uma exposição sobre o significado do dia da revolução dos cravos.

Após o discurso de José Alho, João Moura explicou aos presentes que a data fora votada por maioria em conferência de líderes de bancada, como forma de celebrar a efeméride, onde a discussão levantada pelo PS já fora discutida. O presidente da mesa ainda chegou a propor votar-se a suspensão da assembleia, alterando, sob proposta de José Alho, para que se terminassem os trabalhos por aquele tópico e se retomassem na sexta-feira, dia 26, com a mesma senha de presença.

A proposta foi reprovada por maioria, obtendo apenas os votos a favor do PS e uma abstenção do presidente de Seiça, Custódio Henriques, que em declaração de voto considerou lamentável o que estava a suceder.

Os trabalhos prosseguiram, com o tema porém a repetir-se em alguns discursos, ora criticando-se a atitude do PS ora criticando-se a atitude da restante assembleia. Já no final da sessão, aquando a votação da aprovação da Ordem de Trabalhos em minuta, José Alho pediu que se frisasse nos documentos que o PS participara na sessão sob protesto.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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