A assembleia de credores da Vida de Cristo, Parques Temáticos, dona do Museu da Vida de Cristo, em Fátima, determinou hoje, na Secção de Comércio da Comarca de Santarém, o encerramento da atividade e a venda dos ativos da empresa.
A decisão, que apenas contou com o voto contra do representante dos trabalhadores, foi tomada por três dos credores, ficando a comissão de credores, que tem agora um prazo de 180 dias para proceder à liquidação do ativo, a ser presidida pela Caixa Geral de Depósitos, principal credora (3,6 milhões de euros dos 6,1 milhões em dívida).
Jerónimo Silva, mandatário da Vida de Cristo, disse à Lusa que esperava que hoje, “pelo menos”, fosse viabilizada a apresentação do plano de insolvência, possibilidade que apenas foi votada favoravelmente pelo representante dos trabalhadores.
A sentença de insolvência foi proferida no dia 30 de janeiro, numa audiência em que a empresa desistiu da oposição que havia apresentado meses antes, pedindo que lhe fosse concedida a administração da massa insolvente e comprometendo-se a apresentar, em 30 dias, um plano de insolvência que permitisse a continuidade da exploração.
Gorada essa possibilidade, na assembleia de hoje a administração da massa insolvente passou para a administradora de insolvência.
A empresa já havia tentado implementar um Processo Especial de Revitalização (PER), mas, na votação realizada em novembro de 2016, também não obteve a aprovação da totalidade dos credores, nomeadamente da CGD.
Os ativos incluem os dois pisos do museu e ainda 14 lojas no Porticus Galerias, quatro arrecadações na cave e dois pisos de estacionamento em cave (100 lugares), tendo a administradora de insolvência alertado hoje para o facto de duas frações não terem sido licenciadas, estando por isso “clandestinas”, o que pode ser extensível a todo o prédio, “contaminando as verbas dos bens imóveis inventariados”.
A funcionar desde 2010, e atualmente com cerca de oito trabalhadores, o Museu da Vida de Cristo ocupa uma área de 4.000 metros quadrados e tem um acervo de 210 figuras de cera, vestidas com roupas feitas com tecidos fabricados na zona da Sertã em teares manuais de artesãs portuguesas, segundo a descrição constante do processo.
O museu apresenta 33 cenas, realizadas por empresas portuguesas a partir de estudos sancionados pelo Santuário de Fátima, que acompanhou o processo e elogiou o projeto cenográfico de Moniz Ribeiro e João Quintão, acrescenta.
Referindo a tendência de crescimento do turismo religioso desde 2015, a Vida de Cristo afirma que o museu foi considerado o terceiro melhor museu de cera do mundo por Tony Julius, diretor da empresa londrina que fabricou as figuras de cera e ex-colaborador do Museu Madame Tussaud.
Entre as razões invocadas para a situação em que se encontra o museu, os proprietários referem a redução do número de visitantes, de 80.000 em 2010 para 38.000 em 2015 e 2016, mostrando “a verdadeira dimensão da crise” que afetou o país e Fátima.

