O Grupo de Teatro Apollo celebrou este domingo, 8 de outubro, os seus 20 anos. Duas décadas de resistência que, conforme foi salientado na ocasião, impulsionaram o surgimento de vários grupos de teatro amador no concelho de Ourém. O espetáculo “As Velhas” e a abertura de uma exposição na Galeria Municipal de Ourém marcaram este aniversário, onde se reuniram velhos e novos membros da equipa, se lembrou o caminho realizado e a memória dos que já partiram.
Sediado em Pêras Ruivas, freguesia de Seiça, o Grupo de Teatro Apollo nasceu em 1997 e tem conseguido manter atividade, com espetáculos de qualidade e uma equipa de talentos, ao longo dos anos. Do grupo inicial, só a responsável, Dora Conde, ainda permanece. A equipa de 15 elementos percorre o país com espetáculos, tendo já vencido vários prémios de teatro amador. É também já tradicional na agenda cultural de Ourém a sua Meia Maratona de Teatro, iniciativa que promove desde 2006. O grupo é ainda presença assídua no Cenourém – Festival de Teatro Amador de Ourém.

“Hoje é um dia bastante emotivo. São 20 anos de um projeto artístico”, referiu Dora Conde aquando a abertura da exposição na Galeria Municipal. “Houve um conjunto de pessoas que queriam fazer um texto e convidaram-me”, recordou, na altura uma jovem de 18 anos. “O Cenourém, para grupos que não estavam a pensar ter continuidade, foi uma semente para grupos como o nosso”, frisou.
A exposição dos 20 anos surge como uma forma de “preservar a nossa memória”, com uma particular homenagem ao “Paulito”, ator da equipa que morreu num acidente em 2016. “Adereços, figurinos, tudo aquilo que nos caracteriza está aqui”, referiu a responsável.
Também presente na ocasião e colaborador do grupo, Sérgio Ribeiro recordou a primeira vez que os viu atuar e das capacidades que a equipa logo evidenciou. Já Ana Saraiva, Chefe de Divisão da Ação Cultural da Câmara de Ourém, salientou o trabalho contínuo e de qualidade que o Grupo de Teatro Apollo tem desenvolvido ao longo dos anos, “com informalismo, grande união, que sabe envolver os outros nos vossos projetos”. “Vocês têm um papel fundamental como motor do teatro em Ourém”, sublinhou, tendo fomentando o surgimento de outros grupos de teatro amador. “Acho que o município só tem a agradecer o incentivo”.
Aos jornalistas, Dora Conde fez um balanço “positivo” desta experiência. “Isto é um projeto de continuidade, nada foi planeado. Tivemos foi uma capacidade de resistir, porque gostamos muito de teatro”, afirmou. “Conseguimos mostrar que era possível levar pessoas ao Cenourém”, acrescentou Tatiana Pedro, atriz da equipa.
Para o próximo ano o grupo quer manter o seu espetáculo “As Velhas”e fazer uma reposição de outras peças que já levaram a palco. Uma “residência artística”, explicou Dora Conde, que poderá passar também por uma viagem aos Açores.
A peça mais premiada do Grupo de Teatro Apollo foi “Na Terra dos Sonhos” (2007). Do agrado do público encontram-se também “Jantar de Idiotas” (2012), “Queres ser Ministro” (2013) ou “O que farei com este livro” (2009).
