A Ordem dos Médicos (OM) está a aconselhar o uso de máscara em várias situações, incluindo nos transportes coletivos e nas unidades de saúde, como medida para minimizar o impacto das infeções respiratórias.
Em comunicado, a OM refere que “atendendo à atual situação de elevada circulação de vírus respiratórios, nomeadamente do vírus influenza (gripe), e ao período festivo da Passagem de Ano, a Ordem dos Médicos, através do bastonário e da Comissão de Acompanhamento da Gripe/Vacinação, recomenda fortemente o uso da máscara nas unidades de saúde e nas estruturas residenciais ou de acolhimento para populações vulneráveis, idosas ou com deficiência”.
Aconselha ainda “o uso da máscara nas farmácias comunitárias, em ambientes fechados e em aglomerados (exemplo, transportes coletivos) e no contacto com pessoas mais vulneráveis”, bem como “o uso da máscara para as pessoas mais vulneráveis (por exemplo, com doenças crónicas ou imunossuprimidas) sempre que estejam em situações de risco aumentado de exposição”.
Entre outras medidas, é recomendado que as pessoas com sintomas sugestivos de infeção respiratória ou diagnóstico estabelecido, permaneçam em casa, evitando a frequência do local do trabalho e escolas, privilegiando o teletrabalho.
Por outro lado, adianta a mesma nota, as pessoas com queixas sugestivas de infeção respiratória devem cumprir as medidas básicas de higiene e controlo da infeção, tais como, o distanciamento mínimo de 1,5 metros de outras pessoas, a higienização das mãos, a etiqueta respiratória e o uso de máscara na presença de outras pessoas, durante cinco a 10 dias após o início dos sintomas.
“Em caso de necessidade, o SNS24 deve ser contactado e deve ser dada especial atenção ao aparecimento de sinais de alarme: febre persistente que não cede a antipirético, dificuldade respiratória, expetoração com sangue, alteração do grau de vigília e vómitos persistentes, diarreia grave ou incapacidade de se alimentar e hidratar corretamente”, alerta ainda a OM.
A OM lembra que a vacinação é a medida mais importante na prevenção da doença e ainda pode fazê-lo gratuitamente nas farmácias contra a gripe e a Covid-19, se tiver 60 ou mais anos de idade.
Hospitais com muita pressão nos internamentos por infeções respiratórias
O Hospital de Abrantes, no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), atingiu na quinta-feira 90% da capacidade instalada de internamento em cuidados intensivos por doentes com infeções respiratórias, com os sintomas gripais a representarem 80% dos atendimentos nas urgências.
Carlos Lousada, diretor clínico e responsável pelo Serviço de Pneumologia do CHMT, entidade que agrega as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, disse à Lusa que a unidade hospitalar em Abrantes, onde está concentrada a Urgência Médico-Cirúrgica (UMC), tem hoje “10 doentes em cuidados intensivos com infeções respiratórios (ontem eram 11), para uma capacidade instalada de 12 camas”, cinco dos quais “ventilados por insuficiência respiratória grave”.
Com uma “média de 600 atendimentos diários” nas urgências das três unidades hospitalares na última semana, dos quais 150 em pediatria, o diretor clínico do CHMT disse estar “ao nível das urgências dos hospitais centrais na atividade assistencial”, sendo “80% dos atendimentos dos Serviços de Urgência (SU) por doença respiratória”.
Face ao panorama e à procura assistencial, o CHMT decidiu “reforçar equipas e camas de internamento”, no âmbito do plano de contingência à gripe, “para dar resposta ao pico de procura e para fazer face às próximas semanas”.
O centro hospitalar prevê que a atual situação se prolongue “até ao final de janeiro, com o pico na segunda quinzena de janeiro”, devido aos “grandes convívios sociais” da quadra festiva do natal e ano novo, tendo a instituição indicado os idosos e crianças como grupos de risco.
Com cinco serviços de urgência (SU), entre os quais duas urgências básicas, em Tomar e Torres Novas, a urgência pediátrica, em Torres Novas, e a maternidade e Unidade Médico Cirúrgica (UMC) em Abrantes, os SU do CHMT registam, no entanto, uma “prevalência de 60% de pulseiras verdes/azuis” nos doentes triados, ou seja, casos não urgentes, o que faz aumentar os tempos de espera.
Os tempos médios de espera na última semana para doentes urgentes (amarelos) nos hospitais do Médio Tejo têm sido de entre uma e três horas, enquanto os não urgentes (verdes e azuis) esperam entre sete e 12 horas.
A triagem de Manchester, que permite avaliar o risco clínico do utente e atribuir um grau de prioridade, inclui cinco níveis: emergente (pulseira vermelha), muito urgente (laranja), urgente (amarelo), pouco urgente (verde) e não urgente (azul).
Já o Hospital Distrital de Santarém (HDS) atingiu na sexta-feira o limite da capacidade de internamento em cuidados intensivos, “com 60% dos casos a dever-se a infeções respiratórias”, e foi ativado o nível 3 do plano de contingência, indicou a unidade.
“O Hospital Distrital de Santarém atingiu esta sexta-feira, dia 29 de dezembro, 100% da capacidade instalada de internamento em cuidados intensivos, com 60% dos casos a dever-se a infeções respiratórias”, lê-se numa nota do HDS.
O diretor Clínico do Centro Hospitalar Médio Tejo apelou à população que siga as recomendações da Direção Geral da Saúde (DGS) para as temperaturas frias e utilize a Linha Saúde 24 (808242424) antes de recorrer aos serviços de urgência.
“Não venham para as urgências com sintomas ligeiros”, apelou Carlos Lousada, tendo apontado à sobrecarga no serviço de urgência, já com uma “pressão muito grande”, e ao risco de contágio. “Quem tiver de recorrer às urgências deve usar sempre a máscara”, indicou.
c/LUSA
