Confesso que umas das coisas que mais me revolta na nossa sociedade é a hipocrisia política.

Ao longo de anos, com o PCP e BE afastados do poder, habituámos-nos a ver dezenas de comissões de utentes que, com alguma regularidade, vinham a público protestar contra determinado problema nos serviços públicos. Era normal e saudável esse exercício de cidadania em que um conjunto de utentes se juntava para nos defender a todos.

Mas tarde comecei a reparar que eram quase sempre os mesmos e só mudava o porta-voz. À porta do Hospital A falava um, nas portagens falava outro, no Serviço de Finanças repetiam o porta-voz do Hospital B e nos Correios falava o mesmo porta-voz que já tinha estado na Segurança Social e que mais tarde falaria em nome dos utentes da ferrovia.

Uns tempos mais tarde acabei a reunir com algumas dessas pessoas que vinham representar a vereação do PCP na Câmara X, os eleitos da Junta Y do BE ou o membro do Secretariado W do PS no concelho W.  Até me recordo de uma destas Comissões ter criado um pânico irresponsável sobre o pretenso encerramento da Maternidade de Abrantes que até aí nunca tinha estado em cima da mesa. Foi uma vergonha porque foi liderado por pessoas que sabiam perfeitamente que tudo não passava de uma farsa política.

Até aqui tudo me parecia estranho mas era legítimo que militantes activos em partido A ou B pudessem, e bem, exercer os seus direitos de cidadania em Comissões de Utentes. Após 4 anos de geringonça e da degradação de serviços públicos percebi que não era tudo tão legítimo como pensei inicialmente.

Pese embora nem todas as Comissões de Utentes estejam inquinadas por estes exemplos que dei, e há muitas que fazem um trabalho notável, a verdade é que não deixa de ser estranho que com tantos problemas nos caminhos de ferro, nos hospitais, nos centros de saúde, nas urgências, não se vejam por aí as habituais Comissões de Utentes a defender os “utentes” e a criticar as opções da coligação PS-BE-PCP. Será que estão ocupadas a preparar a Festa do Avante ou ainda estão no acampamento do Bloco de Esquerda?

Desde já, aproveito para pedir desculpa a todos aqueles que, não sendo militantes do PCP, BE, PS e outros, participam legitimamente e autenticamente em algumas destas comissões manobradas por interesses partidários.

Onde andarão essas comissões de utentes?

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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