As preocupações têm sido publicadas nas redes sociais, através da denominada página ‘Associação de Proteção do Património de Tancos’, com 310 membros, com as críticas a apontarem à destruição de muros e de património histórico na zona ribeirinha, no seguimento da construção de uma moradia com 1º andar a sobressair dos muros em causa, com algumas pessoas a publicarem fotos e outras a sugerirem uma providência cautelar para interromper as obras em curso.
A preocupação levou à criação de uma Petição para preservar a zona histórica do Cais de Tancos, tendo alguns populares reivindicado a manutenção “daquilo que dá identidade e coesão enquanto população” e que passa pela preservação da história e património.
“Qualquer intervenção deve respeitar as características tipológicas que marcam a arquitetura dos lugares onde incide e assim integrar-se de forma harmoniosa nestes”, escreve outro cidadão, defendendo uma solução que passe pela “consolidação daqueles ancestrais muros”.

O mediotejo.net questionou o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha sobre as preocupações da população, tendo Fernando Freire afirmado que, apesar de não ter conhecimento do relatado nas redes sociais, o executivo tem tido sempre a preocupação da salvaguarda do património de Tancos, rejeitando as críticas apontadas.
“Em primeiro lugar transmitir que tem sido preocupação do executivo municipal salvaguardar o património de Tancos. Por isso se classificou como património municipal o seu Cais em 2022. Ou como aconteceu em 2022, com a colaboração com a Fábrica da Igreja de NS Conceição na recuperação da Capela de NS da Piedade. Ou como aconteceu em 2023, com a recuperação da sua Igreja Matriz de Tancos. Este monumento classificado necessitava uma intervenção urgente de conservação e de restauro, nomeadamente, no retábulo do altar-mor, elementos pétreos e pintura mural do teto; azulejos existentes nas paredes laterais e arco da capela-mor, pintura sobre tela e respetiva moldura em talha dourada localizadas na parede lateral, do lado da Epístola”, indicou o autarca.
“Decidiu o Município da Barquinha e a Junta de Freguesia substituir-se à Administração Central e avançar para a sua recuperação sob pena de perda irremediável de tão belo património. A obra encontra-se concluída, e vamos avançar, ainda, este ano para a substituição do seu telhado e pintura exterior da Igreja”, acrescentou, tendo referido que, no assunto em causa, fica salvaguardada a identidade e os panos de paredes”.
“Mas governar não é só fazer coisas boas ou bonitas, governar é, também, cumprir a legalidade, mormente o direito de propriedade. Esse direito de qualquer cidadão usar, fruir e dispor de uma coisa corpórea de modo pleno e exclusivo. Por isso ele paga impostos sobre o seu património. Ora, o prédio em questão não está limitado por qualquer direito natural, legal, normativo ou regulamentar. Pode ser alvo de reconstrução ou de intervenção. O mesmo encontra-se em área de regeneração urbana (ARU), fora da área de servidão da Igreja Matriz e da Igreja da Misericórdia. Aliás, a DGPC no seu parecer sobre a sua edificação veio dizer o seguinte: “Concordo. Considerando a ausência de servidão administrativa no âmbito do património cultural classificado, aprovo, condicionada à realização da ação de diagnóstico arqueológico.”
“Ora, salvaguardar não é proibir ou condicionar, é criar alternativas, e conservar com outras condições, se for possível ou exequível”, indicou Fernando Freire.
“Assim, posso informar que fica salvaguardada a identidade e os panos de paredes, uma vez que estas ficam lá, ressalva-se que a pedido dos serviços. Certamente, algumas paredes terão que ser alinhadas pois ameaçam a ruína, mas a razão histórica e paisagística está e estará defendida”, assegurou o autarca.




“Por último, disseram-me que tinha havido palavras difamatórias numa rede social. Ora, sem prejuízo do exercício de direito em sede própria, e a seu tempo, que legitimamente me assiste, posso afirmar que não recebi qualquer pedido de informação de ninguém”, afirmou Fernando Freire.
“Mais informo que estou sempre disponível para aclarar qualquer assunto, quer no atendimento público, quer nas reuniões públicas da câmara ou da assembleia municipal. Terei muito gosto em ali prestar esclarecimentos, informações e justificar as ações dos serviços em que estou presidente”, concluiu.
