Foto tirada a 13 de outubro de 1917, aquando o "milagre do sol", e publicada no jornal "O Século". Foto D.R.

Na manhã de quarta-feira, 4 de maio, o “sol bailou” em Ourém, junto à Igreja Matriz, depois de uma noite de oração à imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Milagre? Várias dezenas de pessoas assistiram e cada qual tirou a sua conclusão sobre aquele momento (há quem refira 15 minutos, outros falam em alguns segundos) em que o sol brilhou com mais intensidade, pelas 8 horas da manhã.

O mediotejo.net falou com Maria Helena, residente em Lourinha, Ourém, que assistiu ao episódio. A imagem Peregrina de Fátima (que tem estado a percorrer várias paróquias) acabara de deixar a igreja de Ourém para ser colocada no seu veículo de transporte quando outra pessoa chamou a atenção de Maria Helena para o aspecto do céu. “Olhava-se para o sol e quase que se ficava cega”, explica, adiantando que o astro, brilhando de forma mais intensa, tinha à sua volta luzes de variadas cores.

“Pode ser um chamamento de Nossa Senhora, um sinal”, reflete, admitindo que é uma pessoa de fé e lembrando que os três pastorinhos de Fátima passaram por Ourém durante o período das Aparições de 1917. A imagem peregrina já não visitava a paróquia há 50 anos, atraindo por isso uma grande multidão ao local, a uma semana das comemorações do 13 de maio. Maria Helena não sabe dizer ao certo quantas pessoas estavam no local, apenas que era “tanta gente” e que só deu pelo sucedido porque a alertaram.

Este tipo de “milagres” surgem “associados a todos os fenómenos de aparições”, comenta a respeito do episódio o antropólogo Aurélio Lopes, estudioso de várias narrativas religiosas populares, como a de Fátima ou a da Santa da Ladeira (Torres Novas). No geral, constata, trata-se de um fenómeno meteorológico até bastante vulgar, ainda que não suceda com muita frequência. Explica que está relacionado com a refração da luz e diferentes níveis de humidade, que criam ilusões e imagens de “movimento de luzes azuladas, avermelhadas”.

“Todas as Aparições têm fenómenos desses”, nota, lembrando não só o milagre do sol de Fátima como outros casos de devoção religiosa espalhados pela região. “Fenómenos que não têm nada de anormal, a não ser que não são quotidianos.”

Acontece que a maioria das pessoas não olha com frequência para o céu, não se apercebendo. Já quem possui algum tipo de devoção e olha para o céu numa “postura de espera”, acaba por se dar conta destes episódio meteorológicos, considera. O antropólogo constata que, face a estas explicações, cada um dá a sua interpretação. Mas, salienta, “sóis a bailar” é  algo “relativamente vulgar”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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