Os Bombeiros Voluntários Torrejanos celebraram este domingo, 5 de outubro, 95 anos de existência, numa jornada que juntou cerimónias institucionais, promoções e condecorações, homenagens a associados e a bênção de novas viaturas, culminando com o tradicional desfile pelas ruas da cidade.
As comemorações começaram com a alvorada e toque de sirene, seguindo-se um porto de honra, o hastear da bandeira, uma romagem ao cemitério e a receção às entidades, momentos que contaram com a participação da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários Torrejanos.
O Teatro Virgínia acolheu depois a sessão solene comemorativa dos 95 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Torrejanos (AHBVT), com intervenções de representantes da associação, do município, da Liga dos Bombeiros Portugueses e da estrutura de proteção civil.
“Celebramos 95 anos de uma casa que nunca fecha verdadeiramente as portas. Porque quando alguém precisa, há sempre alguém aqui para o ajudar”, afirmou o presidente da Direção da AHBVT, Gonçalo Pereira, numa intervenção em que evocou as sucessivas gerações que construíram a história da instituição.
O dirigente lembrou que, quando a associação foi criada há 95 anos, os seus fundadores não poderiam antecipar “quantas vidas seriam salvas”, quantas pessoas e famílias seriam ajudadas ou quantos incêndios e acidentes exigiriam a intervenção dos bombeiros, mas sabiam que existiam pessoas que precisavam de auxílio.
“E essa razão continua hoje tão válida como naquele dia”, sublinhou Gonçalo Pereira.

Também a presidente da Mesa da Assembleia-Geral, Luzia Serigado, destacou o percurso de “quase um século de dedicação, de entrega à comunidade, de sacrifício pessoal e familiar, de coragem perante a adversidade e de permanente compromisso com a proteção e socorro das populações”.
A responsável salientou que a comemoração representa mais do que uma data, constituindo uma homenagem aos homens e mulheres que, ao longo de várias gerações, integraram a corporação e se mantiveram disponíveis para prestar auxílio “independentemente da hora, do local ou do risco envolvido”.
Na sessão, o presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, afirmou que celebrar os 95 anos dos bombeiros é assinalar a história de uma instituição “que se confunde com a própria história de Torres Novas” ao longo das últimas nove décadas e meia, destacando o voluntariado como uma expressão de cidadania e serviço à comunidade.
O autarca anunciou que o apoio financeiro e institucional do município à Associação Humanitária deverá atingir 436.945,82 euros em 2026. O montante inclui 240 mil euros relativos ao protocolo de apoio, 150 mil euros para financiar metade dos encargos salariais dos 15 operacionais das três Equipas de Intervenção Permanente (EIP), cerca de 31,8 mil euros para refeições no âmbito do dispositivo de combate a incêndios, 14 mil euros de apoio ao investimento e mil euros em bolsas de estudo.
Segundo José Trincão Marques, já foram pagos 294.925,53 euros à associação, estando assegurados mais 142.020,29 euros até ao final do ano.
O presidente da Câmara adiantou ainda que o município pretende apoiar uma eventual quarta Equipa de Intervenção Permanente, caso esta venha a ser atribuída pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, num reforço estimado em 50 mil euros.

A autarquia pretende igualmente apoiar, “logo que possível” e dentro das suas possibilidades, a aquisição de um Veículo Urbano de Combate a Incêndios (VUCI), com um custo aproximado de 400 mil euros.
“Torres Novas reconhece-vos. Torres Novas respeita-vos. Torres Novas agradece-vos”, afirmou ainda José Trincão Marques, dirigindo também uma palavra às famílias dos bombeiros e aos jovens que se aproximam da corporação, que considerou representarem a continuidade da instituição a caminho do centenário.
Um dos momentos da cerimónia foi dedicado aos associados, tendo sido atribuído o símbolo de 50 anos a 173 sócios que completaram meio século de ligação à Associação Humanitária.

A sessão ficou ainda marcada pela entrada de três novos elementos no corpo de bombeiros. Os estagiários Nuno Filipe Martins Ouro, Manuel de Melo Sanches e Cátia Sofia Pereira Dias foram promovidos a bombeiros de 3.ª, seguindo-se a leitura do compromisso de honra.
João Pedro Gomes Lopes e Rute Daniela Nobre Niné foram, por sua vez, promovidos de bombeiros de 2.ª a bombeiros de 1.ª.
A Associação Humanitária distinguiu ainda 11 elementos por períodos de assiduidade entre os cinco e os 40 anos. Entre as distinções de maior antiguidade estiveram as atribuídas ao adjunto de comando Luís Carlos Gonçalves Duarte e ao subchefe Joaquim Manuel Ferreira Gomes, ambos com 30 anos de assiduidade, e ao comandante José Carlos Sénica Pereira, distinguido com medalha de ouro, grau 1, pelos 40 anos de serviço.
Também a Liga dos Bombeiros Portugueses entregou medalhas de assiduidade a 15 elementos e dirigentes, reconhecendo percursos entre os cinco e os 30 anos de ligação aos bombeiros.
A mesa de honra da sessão integrou Luzia Serigado, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Associação, o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques, o secretário da Liga dos Bombeiros Portugueses Guilherme Luís Neves Isidro, o primeiro secretário da Assembleia Municipal, João Trindade, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, o presidente da Direção da AHBVT, Gonçalo Silva Pereira, e o comandante dos Bombeiros Voluntários Torrejanos, José Carlos Sénica Pereira.

A cerimónia contou também com momentos de animação pelo grupo Manus Esenas e terminou com o Hino Nacional.
No exterior, as comemorações prosseguiram com a bênção das novas viaturas da corporação e o habitual desfile dos Bombeiros Voluntários Torrejanos pelas ruas da cidade, encerrando o programa comemorativo dos 95 anos da instituição.
