Num artigo publicado no site do jornal Abarca, a 2 de maio, com o títuloAlcanena – Directora da Biblioteca Municipal plagiou para escrever crónica”, são feitas algumas acusações que a direção do mediotejo.net pretende esclarecer.

A autora dessa crónica, Graça Asseiceira, colabora graciosamente com este jornal, tal como todos os diretores das 13 Bibliotecas Municipais do Médio Tejo, numa rubrica semanal onde é feita uma sugestão de leitura. Na semana passada, Graça Asseiceira sugeriu o livro “O diário de Anne Frank” e, segundo o jornal Abarca (num texto que não é assinado), “analisando a crónica de Graça Asseiceira, é possível atentar a vários parágrafos que se assemelham bastante a quatro artigos diferentes que se podem consultar na internet”.

Contactada pela direção do mediotejo.net, Graça Asseiceira lamentou o sucedido e recusou a acusação de plágio. Esclareceu que esta era uma crónica semelhante a outra por si escrita em 2007, publicada no jornal O Alviela, sobre o mesmo livro, concedendo que nessa altura terá consultado vários sites para suportar a sua recomendação e que poderá ter agora faltado a menção de alguma fonte. Contudo, tal como o próprio artigo do jornal Abarca refere, algumas das ideias usadas por Graça Asseiceira são as que constam do prefácio da obra recomendada, assinado por Ilse Rosa, facto que a autora refere no final da crónica que publicámos.

O jornal Abarca começa por referir, logo na primeira linha do artigo, que Graça Asseiceira é irmã de Fernanda Asseiceira, Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, e termina referindo que “em 2011 foi promovida à categoria de técnica superior de biblioteca e documentação da Câmara Municipal de Alcanena, num despacho assinado pela sua irmã, Presidente do Município, algo ilegal segundo o artigo 44º do Código de Procedimento Administrativo (…), o que se tornou embaraçoso para Fernanda Asseiceira”.

Analisando o exposto, a direção do mediotejo.net entende esclarecer o seguinte:

1. O plágio e a utilização de informação de outras fontes sem a atribuição dos referidos créditos são situações que a direção do mediotejo.net repudia veementemente. O trabalho dos nossos jornalistas, todos detentores de carteira profissional e obrigados ao respeito pelas regras deontológicas da profissão, é validado pelos editores e diretores mas, no caso dos cronistas, e tratando-se de artigos de outra natureza, nomeadamente de opinião, a responsabilidade pelos textos é de quem os assina. É o que sucede em todos os órgãos de comunicação social pois só assim é possível manter a liberdade de expressão, sem censurar discussões de carácter político, por exemplo, que nunca poderiam ser entendidas como posições formais do jornal.

2. Acusar alguém publicamente pelo plágio de um texto é um facto muito grave e que mereceria, do nosso ponto de vista, a assinatura de quem o faz, no referido artigo publicado pelo jornal Abarca. Tal como repudiamos o plágio e a usurpação de informações, repudiamos de igual forma tentativas de manipulação da opinião pública com base em informações anónimas, deturpadas e sem direito a contraditório.

3. No nosso entender, é abusivo considerar plágio a utilização de uma passagem como esta: “A 27 de Janeiro de 1945, os soviéticos libertaram Auschwitz, o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Nas suas câmaras de gás e crematórios, foram mortas, pelo menos, um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia.” Trata-se de informação de carácter geral, de enquadramento, encontrada em várias fontes enciclopédicas. A autora deveria ter assinalado todas as fontes consultadas mas, não sendo este um artigo académico ou jornalístico, mas de mera divulgação de uma obra, não nos parece tão grave como se tivesse copiado um poema inteiro, assinando-o como seu, como recentemente sucedeu em Alcanena com outros intervenientes. Não há a apropriação de um trabalho de investigação único, nem de um trecho que se possa considerar arte. De qualquer forma, reafirmamos, por regra devem referir-se todas as fontes usadas, facto que a autora subscreve.

4. Há uma mistura de assuntos neste artigo que não nos parece inocente: a referência ao facto de Graça Asseiceira ser irmã da atual presidente da Câmara. Sobre esse assunto, gostaríamos apenas de esclarecer os nossos leitores lembrando que Graça Asseiceira é funcionária da Câmara Municipal de Alcanena há 32 anos e que Fernanda Asseiceira é presidente da autarquia há 9 anos. A atual diretora da Biblioteca Municipal já era a nº2 do anterior diretor e, após a sua saída, era a sua sucessora natural, independentemente de quem ocupasse o cargo de presidente da autarquia. Se o despacho da sua progressão na carreira fosse ilegal, como afirma o jornal Abarca, Graça Asseiceira já não estaria em funções. As regras da contratação pública, acreditamos, são iguais para todos os cidadãos. A diretora da Biblioteca de Alcanena, além de funcionária do município há mais de 30 anos, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Ingleses, e Pós-graduada em Ciências Documentais. De qualquer forma, esse é um assunto que nada diz respeito à crónica publicada no mediotejo.net.

5. A direção do jornal entende não existirem motivos para retirar a crónica assinada por Graça Asseiceira e espera poder continuar a contar com a sua colaboração neste espaço, que pretende apenas promover o gosto pelos livros junto dos nossos leitores.

Tramagal, 3 de maio de 2018

Patrícia Fonseca, diretora editorial
Mário Rui Fonseca, diretor executivo

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