Portugal iniciou esta segunda-feira o primeiro “dia útil” da situação de calamidade devido à pandemia de covid-19 com a reabertura condicionada de parte do comércio e serviços públicos, e o uso obrigatório de máscaras. Reabrem serviços públicos com atendimento por marcação prévia, lojas com porta aberta para a rua até 200 m2, livrarias e comércio automóvel. Também reabrem cabeleireiros, por marcação prévia, bibliotecas e arquivos, jardins zoológicos, oceanários e fluviários. É igualmente retomada a prática de desportos individuais ao ar livre, sem utilização de balneários nem piscinas, e a pesca lúdica.
A empresa de vestuário e acessórios de moda Ramos & Ramos, com sede na Zona Industrial da Madalena, Tomar, reabriu as suas lojas em Tomar, Entroncamento e em Leiria (à exceção da loja anexa a um centro comercial. no Carregado). Também os armazéns de revenda da marca própria SMF voltaram ao ativo em Lisboa, Porto Alto, Vila Nova de Gaia e Pombal.
Nesta segunda-feira, dia 4 de maio, retomou-se o trabalho nas lojas físicas, muito virado para “logística e preparação de todas as exigências”.
Já no que toca a vendas, “foi muito reduzido, mas de qualquer forma serve para adaptação e irmos pondo em práticas as regras de exigência e segurança necessárias”, explicou Luís Ramos, dono da empresa, detentor da marca SMF e proprietário das lojas Giovanni (localizadas em Tomar e dirigidas a diferentes tipos de vestuário, calçado e acessórios para homem, senhora e criança, e ainda roupa íntima e de praia).
Desde o dia 14 de março, lembrou, quando tiveram de tomar “a decisão de encerrar todos os estabelecimentos, desde as lojas de retalho aos armazéns de revenda”, ficou com o negócio quase todo a seu cargo. “Desde esse dia estive só eu e outra pessoa a responder a todas as situações, nomeadamente a responder a e-mails de clientes das lojas multimarca/de revenda, pois também temos clientes no estrangeiro, em Espanha, Inglaterra, França… E tivemos de manter serviços mínimos em termos de informação e resposta a clientes que mantinham vendas online e nas redes sociais”, explicou o empresário.
Tiveram de ser despachadas encomendas, ainda que em número reduzido de peças, e ainda que em serviços mínimos, todos os dias houve trabalho.

A marca SMF é muito direcionada para venda em loja física, daí o modelo de revenda com parceiros multimarca de norte a sul do país e até no estrangeiro. Porém, com a pandemia, a empresa voltou a apostar nas lojas online.
“Já estivemos presentes em venda online há cerca de 7 ou 8 anos, mas retirámos porque os representantes da marca nos viam como concorrente. Mas hoje em dia, todas as marcas estão presentes e estávamos preparados para lançar novamente, e assim fizemos. Queríamos fazer um trabalho que envolvesse também os representantes da marca, e criámos um modelo para que a encomenda possa ser recebida em casa com pagamento de portes, ou então pode ser levantada numa das lojas associadas”, contextualizou.
No caso da marca SMF e das lojas Giovanni, o empresário defende as lojas tradicionais apesar da abertura para as vendas online através do site e das redes sociais. “O nosso core business é realmente a venda para lojas multimarca, distinguindo-nos pelo conceito de loja física”, afirmou.

Falando de vestuário e acessórios, tudo se torna complexo, pois é praticamente impossível dissociar a prova das peças de roupa à sua compra efetiva. Aqui impõe-se um dos desafios a este setor e um dos receios com este inimigo “invisível e desconhecido”.
“O ideal é que, quando as peças são experimentadas no vestiário, sejam postas de parte e passadas com um sistema de engomar a vapor que atinge temperaturas bastante altas. Só depois são repostas”, indicou Luís Ramos.
Por outro lado, em termos de troca e devolução, o processo também foi reajustado. As peças que sejam devolvidas “devem ficar, pelo menos, dois dias de parte e depois utilizar o mesmo sistema de engomar a vapor para evitar que o vírus se instale e propague”.
Apesar de tudo tenta-se “tomar os devidos cuidados” e aplicam-se medidas extensíveis a colaboradores e clientes no acesso às lojas e desinfeção.
As medidas incluem o uso obrigatório de máscara, a desinfeção de mãos através do dispensador de álcool gel colocado na entrada de cada loja e a manutenção do distanciamento entre funcionários e clientes.
“Providenciámos viseiras e máscaras para todos os 50 funcionários da empresa, luvas, gel desinfetante, desinfetante em spray para todos os dias, ao longo do horário de funcionamento, ser aplicado nas superfícies e zonas de maior contacto. Em todas as lojas e armazéns providenciámos uma tela protetora de acrílico em todos os balcões, para tanto colaboradores como clientes se sentirem mais confortáveis”, enumerou.
Também respeitando a exigência legal, o número de pessoas por loja foi fixado para cada loja e comunicado a cada funcionário, tal como as regras de segurança e medidas de proteção a seguir. “A limitação de número de pessoas por loja é de 5 pessoas por cada 100 metros quadrados, excluindo funcionários”, indicou.
Sendo empresa na área têxtil, a SMF introduziu ainda novos produtos no mercado: packs de máscaras de proteção reutilizáveis, com filtro TNT no interior, sendo laváveis a 60 graus.

Antes de serem colocadas à venda na loja online, a empresa assumiu a sua responsabilidade social e entregou mais de 2 mil máscaras a IPSS, lares e centros de dia do concelho de Tomar, bem como à autarquia e às onze juntas de freguesia.
Ainda que esta reabertura venha simbolizar o arranque do negócio após suspensão da atividade, a empresa crê que, para chegar à normalidade, há um longo caminho pela frente.
“As coisas vão demorar a normalizar, mas de qualquer forma vão evoluir gradualmente acompanhando a própria economia do país. Mas não vai ser nos próximos meses… talvez demore este ano e o próximo até normalizar. A situação do desemprego vai afetar-nos a todos e vai afetar também as vendas”, assumiu Luís Ramos.
