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Na política, como em muitas coisas na vida, por vezes é melhor deixar passar um tempo para dar por findas as análises e certas as conclusões. Contados os votos ficou a interrogação de como seria o dia seguinte no que se refere ao apoio ao futuro governo do PS. Na noite eleitoral António Costa afirmava que “o povo gostou da geringonça”, ilação que parecia retirar da leitura dos resultados.

Nem sequer foi preciso decorrer uma semana para que ficasse claro que António Costa não está virado para uma nova edição da “geringonça” e sobretudo não quer sequer conversar sobre a concretização de um acordo para a Legislatura.

Prefere, isso sim, conversar e negociar lei a lei, orçamento a orçamento, aquilo a que se costuma também chamar “navegar à vista”.

Mas vejamos um pouco da cronologia, curta, destes acontecimentos. Na campanha eleitoral Costa fazia juras de amor à geringonça, Catarina Martins colocava na mesa os pontos fundamentais para a reedição da dita – investimento público (Saúde, Habitação, Transportes), retirar do Código de Trabalho as medidas do tempo da troika e emergência climática.

António Costa vai à sede do BE e deixa tudo em aberto, reúne com a confederação patronal e recua. Não há acordo. Bem sei que nesta posição o PS é acompanhado pelo PCP, PAN e Livre, mas cada partido assume a posição que entende e responde por ela.

O Bloco queria mais e foi claro desde a campanha eleitoral. A estabilidade do país e a estabilidade das pessoas só se garante com uma governação que não desista de aumentar os salários e as pensões, que aprofunde direitos, que invista nos serviços públicos e respeite o ambiente. António Costa e o PS preferiram a instabilidade. Será o fim da esperança que cresceu em 2015?

O PS desejava a maioria absoluta, na campanha disse que não… mas desejava. Ganhou as eleições mas sem maioria absoluta, vai portanto formar um governo minoritário. Não consegue governar sem outros apoios no parlamento. Não será como dantes.

Mas as aspirações das pessoas, dos trabalhadores, as condições para o desenvolvimento do país, os serviços públicos, a emergência climática, tudo isto continua a necessitar de soluções. É bom lembrar que os avanços significativos que se conseguiram na legislatura que terminou, com muito trabalho e esforço, conseguiram-se à esquerda.

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

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