Museu de Alcanena abre arquivo e debate conservação do património industrial. Foto: DR

O património industrial e a abertura do Arquivo Municipal ao público marcam os próximos momentos das comemorações do segundo aniversário do Museu Municipal de Alcanena, que prosseguem até 16 de outubro, depois de um primeiro fim de semana dedicado à arqueologia, à história local e à memória republicana.

A próxima iniciativa está marcada para sábado, dia 10, às 15h00, com a mesa-redonda “Património Industrial: Conservar para Contar”, no Museu Municipal. O tema cruza-se diretamente com uma das principais áreas de atuação do equipamento, instalado no edifício originalmente construído para Museu do Curtume e cuja exposição permanente integra uma coleção dedicada aos curtumes, considerada única no país pela sua especificidade técnica, científica e industrial.

A valorização deste legado industrial tem vindo a assumir um peso crescente na atividade do museu. Em março de 2025, o espaço passou a integrar a Rede Portuguesa do Turismo Industrial, juntamente com o Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro e o Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, estando a presença de Alcanena nesta rede associada à história e ao saber-fazer do setor dos curtumes.

Já no início deste ano, o Museu Municipal promoveu uma sessão dedicada precisamente ao património industrial e ao caso dos curtumes, com o historiador e arqueólogo industrial Jorge Custódio, centrada na importância da salvaguarda, conservação e valorização dos legados industriais enquanto testemunhos da história das técnicas, da indústria e das comunidades.

O programa comemorativo termina no dia 16 de outubro com a iniciativa “Arquivo de Portas Abertas”, prevista para as 15h00 e 18h00 e sujeita a marcação prévia. O Arquivo Municipal funciona no mesmo edifício do museu e alberga os fundos documentais municipais, bem como fundos privados incorporados no acervo.

Monografia inaugurou programa de aniversário

As comemorações arrancaram no dia 3 de outubro com o lançamento da monografia “As utilizações pré-históricas da Gruta da Marmota, Alcanena (no 4.º milénio a.n.e. e a seguir)”, da autoria de Daniel van Calker, Ana Catarina Sousa e Victor S. Gonçalves.

A obra constitui a primeira edição da coleção editorial “Estudos e Documentos”, criada para promover o estudo e a divulgação do património cultural do concelho, e centra-se no denominado “megalitismo de gruta”.

Segundo informação divulgada pelo Museu Municipal, o estudo apresenta igualmente dados sobre redes de intercâmbio na Pré-História e referências à presença de ursos-pardos na zona da Raposeira entre os séculos XI e XII. A Gruta da Marmota é um dos mais antigos sítios arqueológicos do concelho e encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1978.

Monografia inaugurou programa de aniversário. Foto: CMA

O programa prosseguiu, no dia 4, com a visita encenada “A Chiquérrima História de Alcanena”, pelo Teatro do Botão, e, no dia 5, com uma caminhada interpretativa pela vila integrada no “Roteiro Republicano”.

Esta última iniciativa recupera uma proposta já realizada nas comemorações do primeiro aniversário do museu. O roteiro percorre locais associados ao republicanismo em Alcanena, incluindo o Largo 1.º de Maio, onde funcionou a Associação de Classe dos Curtidores de Solas, e espaços ligados à implantação e afirmação local do movimento republicano.

O Museu Municipal de Alcanena foi inaugurado em 4 de outubro de 2024 e reúne três grandes núcleos – Arqueologia, Curtumes e História Local -, cobrindo um arco temporal que recua cerca de 45 mil anos. A estrutura tem como missão preservar e divulgar os testemunhos materiais e imateriais do concelho e reforçar a memória e identidade locais.

Museu de Alcanena abre arquivo e debate conservação do património industrial. Foto arquivo: mediotejo.net

A participação nas iniciativas do programa é gratuita, estando o “Arquivo de Portas Abertas” sujeito a marcação prévia.

Máquina de dividir em exposição no Museu Municipal

A exposição de longa duração do Museu Municipal de Alcanena já integra a Máquina de Dividir, também conhecida como máquina de serrar em tripa.

De fabrico espanhol, Badalona, esta máquina permite dividir a pele em duas camadas: o croute e a flor da pele. Dispondo de um mecanismo de afinação, esta máquina permite regularizar a espessura da pele, preparando-a para a fase seguinte do processo: a curtimenta.

Após cerca de 20 anos exposta às intempéries, a máquina foi recentemente alvo de uma intervenção de conservação, realizada pela empresa Versátil – Arqueologia Industrial e Manutenção de Museus, Lda., que permitiu recuperar este importante testemunho do património industrial.

Máquina de dividir integra exposição de longa duração no Museu Municipal de Alcanena. Foto: CMA

A mesa-redonda «Património Industrial: Conservar para Contar» , vai abordar a história da recuperação desta máquina, bem como a importância de preservar e valorizar o património industrial.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply