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O tema foi introduzido pela secretária da mesa de Assembleia Municipal, Carla Sarmento (PSD), na passada sessão ordinária do dia 23 de junho.

Carla Sarmento frisou que com a pandemia virou-se muito o foco para a importância da saúde mental, mas “a nível do nosso concelho não se fez nada”, referindo ter conhecimento de uma reunião no final de 2020 entre o executivo municipal e a ARS Centro, e que segundo consta não há nenhuma resolução quanto a este assunto.

No que toca à saúde oral, em 2019 foi celebrado protocolo para a criação de um gabinete de saúde oral no Centro de saúde de Vila de Rei, e acontece que o mesmo ficou concluído há pouco tempo, faltando a colocação de profissional de saúde alocado ao mesmo.

“É uma situação que se tem vindo a arrastar e da qual não há resposta alguma”, disse, acrescentando que “grande parte da população de Vila de Rei não tem acesso à saúde oral, porque sabemos todos que é uma área cara, e haverá uma pequena franja da nossa população que terá algum apoio, nomeadamente com cheques-dentista, mas a maioria não tem acesso a cuidados de saúde oral. Questiona-se qual o objetivo, quando e como a questão do gabinete de saúde oral estará resolvida”.

Outra preocupação surge quanto aos médicos de família, um tema que marca todo o território nacional. “É um assunto conhecido de todos pelo grande problema que há a nível de colocação de médicos de família. Há imensas famílias do nosso país que continuam sem médico de família. Nós em Vila de Rei, dado o tipo de população que temos com elevado número de idosos, tem-se verificado que tem havido problemas no acesso das pessoas às consultas”, começou por relatar, indicando que tal sucedeu pelo facto de um dos médicos ter ficado de atestado médico, tendo sido colocada uma médica em substituição e que deverá sair brevemente do centro de saúde.

O executivo demonstra preocupação, e pretende agir de modo a precaver-se do que poderá suceder no futuro, perante a falta futura de médicos de família. “Dois dos nossos médicos de família, conforme diz na carta enviada, estão numa idade à beira da reforma, temos uma médica colocada ligada ao Centro de Saúde da Sertã que faz meio horário, e a questão que se colocou à ULS Castelo Branco é sobre o que será o nosso futuro”, relatou.

A autarquia, através do projeto Esperança Porta-a-Porta, que circula em serviço de proximidade junto das populações por todo o concelho e com especial enfoque nas pessoas e famílias com necessidades e mais isoladas, diz ter-se deparado com pessoas com problemas em deslocar-se às consultas, outras que veem as suas consultas desmarcadas, etc.

“Acho que nos compete a todos nós começarmos a pensar o que poderemos fazer para tentar precaver e não chegarmos ao que se passa em Oleiros, no Sardoal,… grande parte dos nossos idosos não têm capacidade de se deslocar a médicos noutros concelhos e necessitam muito dos médicos de família quer para receitas regulares, exames e acompanhamento regular. É um problema e uma preocupação do executivo, e três meses depois do envio da carta não teve qualquer resposta”

Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, referiu que o município fez investimento no gabinete de saúde oral há algum tempo e aguarda que a ULS de Castelo Branco coloque o médico dentista ao serviço do centro de saúde. “Estamos à espera e esperemos que seja curta. Mas já aguardamos há algum tempo”, notou.

Quanto à falta de médicos, afirmou que “já é preocupante”, uma vez que só existem dois médicos no centro de saúde de Vila de Rei e um deles é coordenador de quatro concelhos, o que afeta a sua disponibilidade para consultas médicas. A médica a tempo inteiro é coordenadora do centro de saúde e também essa responsabilidade pode afetar a disponibilidade para atendimento aos utentes. Além disso frisou que “os médicos que estão aqui efetivos já têm alguma idade, e mais dia, menos dia, vão para a reforma”, adiantando saber que não existe nenhum concurso para colocação em Vila de Rei.

“Começa a ser um pouco preocupante, em virtude de as pessoas mais vulneráveis, especialmente os nossos idosos, necessitarem de acompanhamento. Acho que a Assembleia Municipal podia fazer uma exposição à ULS de Castelo Branco, apesar de a Câmara já ter feito uma missiva. Era importante ter um documento da Assembleia Municipal sobre este assunto”, concluiu.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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