À margem da reunião de executivo, o presidente de Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), admitiu que o município chegou a pensar em não promover iluminação de Natal este ano, dadas as preocupações com a crise energética e inflação e a necessidade de redução de consumos e gastos.
Neste sentido, a iluminação privilegiada passará a ser de led e será reduzido o tempo em que estará em funcionamento, bem como o número de dias da iniciativa com objetivo de reduzir os consumos.
A iluminação passará a ser desligada por volta da meia noite, e só volta a ser ligada quando anoitece. Também serão reduzidos os dias da iniciativa, começando mais tarde que o habitual, entre o dia 6 e o dia 8 de dezembro, segundo avançou o edil.
“Há aqui uma poupança significativa no modelo, porque as estruturas de iluminação e a técnica serão diferentes, porventura não vamos conseguir reduzir muito os custos da própria iluminação, mas vamos reduzir nos gastos de energia e é isso onde estamos mais concentrados”, garantiu.

No âmbito da programação, referiu que também haverá cortes na despesa. “Haverá um conjunto de atividades de Natal e Passagem de Ano, com redução do número de atividades global, mas onde se vai manter atividades para as crianças e suas famílias (…) o objetivo é reduzir ao máximo”, indicou, notando ainda assim que há alguma dificuldade nesse ajuste, uma vez que as atividades também aumentaram os seus preços.
“Menos eventos e eventos mais baratos. Sendo que um evento que custava 200 euros o ano passado este ano já custa 250 e 300 euros. Tudo inflacionou, os artistas e as iniciativas encareceram. Vamos tentar não aumentar a despesa nas atividades. Na passagem de ano vamos procurar outros modelos mais locais, coisas mais baratas”, exemplificou, levantando o véu à agenda para dezembro.
“Vamos fazer várias iniciativas de Natal no centro histórico, vamos fazer a passagem de ano, temos tudo preparado nesse sentido. Procuramos é reduzir o volume de programação, quer em quantidade de eventos, quer no valor. Vamos reduzir atendendo à situação que todos vivemos, todos temos que apertar o cinto naturalmente, e temos que o fazer”, afirmou, justificando a estratégia de contenção para a época natalícia.
“É essa a nossa estratégia. Não vamos parar com tudo, a iluminação de Natal tem a sua beleza, as suas dinâmicas na economia local. Vamos ter uma iluminação mais adaptada aos dias de hoje e com led. E haverá redução dos tempos em que a iluminação estará ligada”, resumiu.

Quanto aos gastos de energia no Município de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos já tem vindo a alertar para aumentos “brutais” da fatura, referindo que o mais flagrante se aplica “nos valores da média tensão para escolas, estação de captação de água, estruturas pesadas, uma vez que os valores dispararam 400%”.
O autarca tomou como exemplo os Serviços Municipalizados, onde existia “uma fatura na ordem dos 430 mil euros anuais, mas a previsão neste momento é 1 milhão e 600 mil euros”, disse, sublinhando a “grandeza da inflação sobre a média tensão, são valores brutais de aumento e está a acontecer com todos os municípios no país e todas as grandes infraestruturas públicas”.
“Não sei de que forma o Governo vai olhar para esta nossa preocupação e realidade, torna-se a todo o tempo importante encontrar novas estratégias para fontes de energia. Por isso falamos muito nas comunidades de energia para, de alguma forma, através de fontes renováveis, conseguir ultrapassar as dificuldades que o país apresenta”, adiantou.
Relativamente à iluminação pública, a autarquia tem procedido “a substituição de milhares de luminárias antigas por leds”, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
“Queremos continuar a fazer esse trabalho, quer de telegestão, com circuitos de gestão digital e simplificada, quer do ponto de vista da iluminação pública passar a ser toda em led” no concelho.
