Movimento proTEJO denuncia ressurgimento de poluição e exige medidas urgentes. Foto: Arlindo Marques/proTEJO

O proTEJO denunciou hoje uma nova vaga de poluição no rio Tejo, entre Vila Velha de Ródão e a Chamusca, reivindicando à APA e à IGAMAOT uma intervenção urgente para identificar a origem das descargas e responsabilizar os poluidores.

Em comunicado, o movimento ambientalista com sede em Vila Nova da Barquinha, afirma que foram registados novos episódios de espuma abundante e águas escurecidas, agora com tonalidade amarelada, em vários troços do rio a jusante de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

“O padrão é o mesmo que o proTEJO documenta e denuncia há mais de uma década”, sustenta o movimento, apontando para imagens captadas recentemente junto à barragem de Belver, no concelho de Gavião, mas também em Ortiga (Mação), Abrantes, Constância, Vila Nova da Barquinha e Chamusca.

O proTEJO considera que a situação evidencia a persistência de um problema ambiental recorrente no Tejo e recorda que, desde 2015, tem denunciado sucessivos episódios de poluição associados a descargas de efluentes na bacia do rio.

O movimento exige a realização imediata de análises completas à qualidade da água, a fiscalização regular das descargas, incluindo durante o período noturno, e a divulgação pública dos resultados obtidos pelas estações de monitorização existentes no rio.

Entre as reivindicações apresentadas estão ainda a convocação urgente da Comissão de Acompanhamento sobre Poluição do Rio Tejo e a revisão ou suspensão das licenças de descarga de efluentes em caso de incumprimento comprovado.

Fundado em 2009 e agregando associações, autarquias e cidadãos da bacia hidrográfica do Tejo, o proTEJO tem sido uma das vozes mais ativas na denúncia dos problemas ambientais do maior rio da Península Ibérica.

O movimento recorda que, em janeiro deste ano, já tinha participado à IGAMAOT um episódio de espuma abundante entre a barragem do Fratel e a Barca da Amieira, situação que diz ter voltado agora a verificar-se em vários pontos do rio.

No comunicado, os ambientalistas recuperam também o histórico de ocorrências registadas em 2018, quando a APA confirmou que as águas do Tejo apresentavam níveis de fibras de celulose milhares de vezes superiores aos valores recomendados, associando a carga poluente às descargas da indústria de pasta de papel instalada em Vila Velha de Ródão.

Nessa altura, o então presidente da APA, Nuno Lacasta, admitiu publicamente que a maior parte das descargas industriais daquele setor com impacto no Tejo tinha origem na fábrica Celtejo, em Vila Velha de Ródão.

O nome de Arlindo Consolado Marques, dirigente e ativista do proTEJO conhecido como o “guardião do Tejo”, ficou ligado à denúncia pública de vários desses episódios de poluição, através da recolha e divulgação de imagens captadas no rio.

“O Tejo não aguenta mais promessas vazias”, afirma agora o movimento, criticando a falta de concretização da modernização do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), prometida em 2019, e defendendo a disponibilização de dados em tempo real sobre a qualidade da água, à semelhança do sistema espanhol SAIH.

O proTEJO apelou ainda à população para registar e comunicar eventuais descargas poluentes às autoridades, através do SEPNA/GNR, defendendo uma vigilância cívica permanente para proteger o rio.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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