Foto: MAE

O grupo que constitui o MAE reúne pessoas de vários concelhos da região centro, sendo “coeso e totalmente horizontal” e tem como missão “promover uma vivência em simbiose entre pessoas e natureza”.

Numa das suas primeiras iniciativas reuniu a 24 de julho cerca de 30 pessoas para debater na praia fluvial do Pego das Cancelas, em Vila de Rei, o Projeto Tejo como “o talhar do caixão de um Rio”. O MAE deixou o desafio para que a comunidade se junte às suas causas e faça parte da equipa.

No encontro começou por refletir sobre a intenção do governo de construir mais uma barragem “com fins ambientais” e de um túnel de 50 km do Cabril até Belver para desviar água de onde ela já escasseia. Na segunda parte do encontro, foi a floresta portuguesa que esteve em debate.

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Quanto ao Projeto Tejo, o MAE defende que “com falsas pretensões ambientais, pretende-se matar um dos últimos rios livres de Portugal através da construção de dezenas de barragens e açudes”, tendo sido falado sobre “o impacto negativo que vem associado à construção de barragens sejam elas vendidas por benefícios ambientais ou económicos”, referindo-se que “uma em cada três espécies de água doce sobrevive sob a ameaça de extinção”.

“Os defensores do Projeto Tejo alegam que são necessárias barragens para regularizar o caudal do Tejo que, pasme-se, é desregulado pelas barragens em Espanha. Alegam também que em anos de seca poderiam servir para aumentar os caudais do Tejo. Deviam era escolher um outro ano de água farta para esta argumentação, porque em ano de seca não há quem consiga encontrar uma barragem com capacidade de regularização dos caudais, muitas delas já deixaram sequer de ter capacidade de produção hidroelétrica. A albufeira do Cabril está neste momento a 30% da sua capacidade, onde está a água que pretendem levar com a construção deste túnel?”, questiona e alerta o movimento.

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O MAE refere que “ao insistir em soluções do passado que são, em grande medida, responsáveis pelo atual estado dos nossos rios, em contraciclo com as políticas de remoção de barragens implementadas no resto da Europa, quem nos governa parece estar a seguir a estratégia da avestruz de enterrar a cabeça na areia”.

Na nota enviada ao nosso jornal, defende este movimento nascido na zona do Pinhal, que “o futuro passa pela adaptação: aprender a viver com menos, com menos água, com menos desperdício. Medidas como a adaptação dos solos a outras culturas, o reaproveitamento de águas e uma utilização cuidada e regrada deste bem precioso são parte de um futuro sustentável e esperançoso”.

Quanto à floresta, na presença e contributo apresentado do Engenheiro José Pais, foi demonstrada “a condenação que todos vivemos ao permitir que a floresta seja constituída por monoculturas de eucaliptais e pinhais. Os benefícios económicos e sociais de uma floresta rica em biodiversidade e multifuncional são grotescos face ao avolumar de perdas de vidas, de destruição de casas, bens, de vida animal e de natureza”.

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Durante esta conversa e partilha, relevou-se a aposta em espécies como as aveleiras, nogueiras ou carvalhos que “compensa do ponto de vista económico e social, ao criarem na floresta zonas húmidas e resistentes ao fogo e produzirem frutos e matéria-prima de elevado valor”.

Neste primeiro encontro não ficou de fora do debate “os interesses das empresas de celulose na manutenção e expansão de cenários catastróficos de eucaliptais em Portugal para a dilatação de lucros e ganhos individuais com a produção de papel”.

O MAE (Movimento de Ação Ecológica) comprometeu-se a prosseguir o seu caminho “por rios livres, por rios para todos e não à mercê de Interesses de alguns” e “por uma floresta resiliente e em prol das populações”.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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