II Mostra de Água das Casas decorre este fim de semana. Foto: ©Miguel Canaverde

A aldeia de Água das Casas, em Abrantes, volta a ser palco da ‘Mostra de Água das Casas’ este sábado e domingo, dias 27 e 28 de setembro, com um programa que procura reforçar o diálogo entre artistas e a comunidade, promovendo a criação coletiva de obras a partir da memória e identidade local. O evento, promovido pela associação cultural Mundo em Reboliço, conta com curadoria de Filipa Francisco.

A mostra estende-se também à Escola da Matagosinha e, no dia 3 de outubro, chega à cidade de Abrantes, com iniciativas na Biblioteca António Botto e no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, a partir das 21h30. A edição deste ano inclui a estreia de um filme participativo, resultado de uma oficina de cinema dinamizada por Miguel Canaverde com crianças da aldeia de Água das Casas.

Mostra de Água das Casas leva arte a territórios de baixa densidade. Foto: ©Miguel Canaverde

“Começam a filmar os vizinhos e a ficcionar uma aventura à procura de respostas. Nas filmagens cruzam-se pesquisas, conversas, reflexões e memórias, até descobrirem que com a subida das águas em 1951, a Foz da Ribeira foi submersa. Esta viagem torna-se então numa investigação coletiva sobre o passado, presente e futuro deste lugar”, refere a sinopse.

O filme será apresentado este sábado, dia 27, dia em que também vai ser inaugurada a pintura do mural Água das Casas – Passado, presente e futuro, feito pelo artista Anacleto Guia. Nele estão retratados quatro períodos da história da aldeia, com dois elementos de ligação: a água e a amizade, e também a partilha, mais um dos “fatores de união e até de sobrevivência de uma aldeia que sempre lutou contra o declínio.”

Ainda neste dia, haverá o lançamento do livro “Água das Casas: Uma amostra”, da autoria de José Martinho Gaspar.

“O livro conta trinta histórias, ou estórias, que partem de memórias das pessoas do território. As narrativas apresentadas, ilustradas com fotografias, resultam de testemunhos sobre o quotidiano de Água das Casas, desde inícios do século XX, a que, em alguns casos, se juntaram elementos ficcionados. Afinal, quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto”, refere a informação divulgada.

Foto: ©Miguel Canaverde

Nos dois dias, 27 e 28, entre as 10h00 e as 12h00, na Escola da Matagosinha, a bailarina e coreógrafa Susana Domingos Gaspar promove a oficina “Vamos à Dança?”, aberta à comunidade.

Este sábado, à tarde, Susana Gaspar apresenta o solo “Todos os dias tenho um sonho que me acorda”, no qual, usa a chave como metáfora, para percorrer memórias das casas em que viveu, das casas submersas pela barragem, até às casas “roubadas ao povo palestiniano pelo apartheid sionista.”

No domingo, dia 28, também a partir das 17h30, será a vez da apresentação do Grupo de Teatro do Souto.

Sobre o espetáculo “Histórias Inventadas da Aldeia do Souto”, diz a sinopse que “é um mosaico de memórias e estórias em que verdade e ficção se entrelaçam sem pedir licença. Umas aconteceram mesmo, outras poderiam ter acontecido e algumas talvez ainda venham a acontecer. Num mundo onde o ciclo natural das coisas ficou perdido no tempo, recuperamos pedaços de estórias e das gentes do Souto. Entre tabernas e barragens, fogueiras e varapaus, santas e fontes milagrosas, este é um retrato vivo do Souto. Qual Souto? É que há muitos…”

Para a curadora, Filipa Francisco, o objetivo passa por consolidar a mostra como um espaço de continuidade artística e comunitária. “A ideia é continuar de forma sustentada, com passos pequenos, mas consistentes, numa relação próxima com as pessoas e com o território”, sendo esta Mostra “tanto uma prática de criação artística como um lugar de encontro e de transformação”.

Foto: Miguel Canaverde

A associação Mundo em Reboliço sublinha que esta programação reforça a sua missão de “mostrar que é possível criar arte a partir dos próprios territórios, valorizando o tempo, o cuidado e a escuta” e “promovendo a aproximação entre artistas e comunidades” em zonas de baixa densidade populacional.

O programa completo pode ser consultado em https://www.mundoemrebolico.pt/.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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