Moradora do Sardoal pede silêncio noturno dos sinos da Igreja Matriz para conseguir dormir. Foto: CMS

Uma moradora do centro histórico do Sardoal pediu que o relógio da Igreja Matriz deixe de tocar durante a noite, entre as 23h00 e as 07h00, alegando que as badaladas frequentes perturbam o seu descanso e dificultam o sono. A Câmara reconhece a sensibilidade do assunto e admite reforçar as diligências junto da Igreja.

O pedido foi apresentado por Adília Maia na reunião pública do executivo municipal de 14 de outubro, através de uma exposição na qual descreveu os incómodos provocados pelo funcionamento do relógio da Igreja Matriz, localizada nas proximidades da sua habitação.

Segundo explicou, o mecanismo assinala os quartos de hora, as meias horas e as horas completas, com uma sequência de badaladas que se prolonga ao longo da noite.

A título de exemplo, referiu que, à meia-noite, chegam a ouvir-se 16 badaladas e que às quatro da manhã são oito.

“Quem ouve as badaladas muito próximo, nomeadamente durante o sono noturno, pode acordar, como é o meu caso, e encontrar enorme dificuldade em readormecer”, afirmou a residente.

A munícipe defendeu que o relógio poderia continuar a funcionar durante o dia, suspendendo apenas os sinais sonoros no período noturno, sem comprometer a tradição associada ao monumento religioso.

Na exposição apresentada ao executivo, acrescentou que pretende solicitar autorização para instalar um alojamento local na sua habitação no próximo ano, considerando que o ruído poderá também prejudicar essa atividade.

O filho da moradora, que participou na reunião, invocou as regras nacionais relativas ao ruído noturno e questionou a necessidade de manter as badaladas durante toda a noite, distinguindo o funcionamento regular do relógio das celebrações religiosas.

Câmara admite reforçar contactos com a Igreja

Na resposta, o vice-presidente da Câmara do Sardoal, Duarte Baptista (PSD), reconheceu que se trata de uma situação sensível, mas sublinhou que a sua resolução não depende exclusivamente da autarquia.

“É um assunto que não compete exclusivamente ao município”, afirmou o autarca, recordando que já houve contactos com a Fábrica da Igreja sobre a questão.

Duarte Baptista admitiu que será difícil conciliar todas as sensibilidades, uma vez que o toque dos sinos faz parte das tradições locais, mas reconheceu a necessidade de procurar uma solução para os incómodos relatados.

O responsável municipal recordou um caso semelhante ocorrido em Valhascos, no concelho do Sardoal, onde a instalação de um sino mais sonoro motivou queixas, acabando por ser necessária, segundo relatou, uma intervenção da autoridade diocesana para suspender os toques durante a noite.

No caso da Igreja Matriz, o vice-presidente comprometeu-se a reforçar as diligências junto da Fábrica da Igreja e solicitou à moradora que enviasse a exposição também por correio eletrónico, para permitir o respetivo acompanhamento e uma resposta formal do município.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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