Esta é a última das minhas crónicas para o mediotejo.net neste mandato parlamentar. Com a grande incerteza de ser ou não eleito em outubro, esta é também a oportunidade para prestar contas a esta região, o Médio Tejo, e dizer que foi um privilégio representar-vos.
Se é verdade que, quando eleitos, representamos o país e também um distrito, na realidade sempre me senti com uma responsabilidade especial sobre a região do Médio Tejo, que também dá nome a este jornal online.
Não foi possível “ir a todas” mas saliento como as principais batalhas deste mandato ,e que são do interesse particular desta região, a luta pelo ambiente, em particular a defesa do rio Tejo, mas também também do rio Almonda e do Nabão. Sem esquecer a verdadeira batalha contra as empresas poluentes e em particular contra a Fabrióleo. Já passou algum tempo mas não esqueço o trabalho pela resolução dos problemas do açude de Abrantes, causados pela fraca qualidade do seu projecto e sobretudo pela falta de manutenção da autarquia, mas também a remoção do “travessão” feito no Tejo que, felizmente e após muito trabalho político, foi alterado.
Os problemas relacionados com os incêndios e com a proteção civil, e em particular a alta discriminação do governo face aos concelhos do Médio Tejo que arderam em 2017, como Mação, Sardoal, Abrantes e Ferreira do Zêzere, que foram claramente prejudicados face aos apoios dados a outras regiões do país. Tudo isto aconteceu perante o silêncio ensurdecedor de demasiada gente como da própria Comunidade Intermunicipal então liderada pela autarca de Abrantes.
Os problemas de saúde da região foram outra das áreas prioritárias, quer os cuidados de saúde hospitalares quer os primários, numa região com graves dificuldades causadas por um modelo de três hospitais que não deixa ninguém contente e de recorrente falta de médicos de família. Tudo isto foi agravado pela austeridade encapotada de Mário Centeno que retirou autonomia de gestão, aumentou prazos de pagamentos de dívidas, asfixiando a gestão dos hospitais e os próprios fornecedores da economia local. Tudo isto sob a conivência dos habituais partidos de protesto como o BE e o PCP e de algumas, não todas, comissões de utentes.
Não seria justo fazer um balanço destes sem falar de Educação. Se não estou em erro, ao longo destes quatro anos, a única escola seriamente intervencionada foi a do Sardoal, cujo financiamento e mapeamento já tinha sido decidido pelo governo PSD/CDS. O resto são apenas protocolos, conversa fiada e adiamentos. No resto, a actual cabeça de lista do PS, Alexandra Leitão, tentou destruir os colégios de Fátima, atrasou o financiamento às escolas que levou até os pais, como em Abrantes, a ter que pagar os assistentes operacionais e jamais garantiu o reequipamento, como no caso da Manuel Fernandes onde temos um edifício do século XXI com equipamentos do século XIX. Sim, e neste caso nem a solução para a antiga residência foi garantida.
Hoje é também justo lembrar o trabalho feito junto das instituições sociais cujo trabalho tem sido asfixiado pelos constantes atrasos do Governo em pagar os programas contratados. São vários os exemplos, a começar pelo CRIA, de instituições onde o funcionamento esteve ameaçado por dívidas do próprio Governo.
Não vos querendo maçar muito mais, gostava ainda de destacar a questão dos transportes públicos. Em boa hora colocamos na agenda a discriminação existente em matéria de passes sociais entre quem vive em Lisboa e o resto do país. Sobretudo para com aqueles que se deslocam diariamente para trabalhar utilizando transportes públicos e que não tinham qualquer apoio social. Ainda neste capítulo importa assinalar o nosso empenho na questão da ferrovia, mais uma vítima da austeridade de Centeno e António Costa, que conheceu um investimento menor do que no próprio período da troika.
Estas pequenas notas são apenas alguns registos que considero importante não esquecer. Esta é também a oportunidade de saudar o trabalho da imprensa regional e sobretudo do mediotejo.net que tem ajudado a chamar a atenção para os problemas da região mas também para as suas soluções.
