Misericórdia de Abrantes investe três ME em residências para 32 idosos. Foto: AL/JJ

A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes inaugurou residências assistidas para 32 idosos, num investimento de cerca de três milhões de euros, integralmente suportado pela instituição, após vários anos de atrasos e dificuldades financeiras.

“Estes quatro últimos anos têm sido dolorosos”, afirmou o provedor da Misericórdia, João Pombo, durante a inauguração do equipamento, realizada no sábado, sublinhando o esforço da instituição para concluir uma obra iniciada em 2019 e que considera essencial para reforçar a resposta social e a sustentabilidade financeira.

O novo edifício, na cidade de Abrantes, integra 16 apartamentos, cozinha, salas de refeições e convívio, gabinetes médicos e de enfermagem, farmácia e outros espaços de apoio, destinados a proporcionar acompanhamento aos residentes sem comprometer a sua autonomia.

O investimento, inicialmente estimado em cerca de 1,2 milhões de euros, aproximou-se dos três milhões, devido a atrasos, dificuldades burocráticas, efeitos da pandemia e aumento dos custos de construção.

Segundo João Pombo, a obra foi financiada com recursos próprios e empréstimos bancários, sem qualquer comparticipação pública, tendo os encargos financeiros agravado as dificuldades da instituição durante os anos em que o equipamento permaneceu sem gerar receitas.

O provedor explicou aos jornalistas que a atual Mesa Administrativa encontrou o edifício por concluir, tendo enfrentado uma paragem de cerca de um ano devido a problemas burocráticos e de legalização, entretanto ultrapassados.

Com o equipamento pronto a receber residentes, a Misericórdia espera que as receitas contribuam para compensar os défices anuais das restantes valências e assegurar maior estabilidade financeira.

Na cerimónia, João Pombo apelou ao Governo para reforçar os mecanismos de financiamento e garantir maior previsibilidade nas comparticipações públicas às instituições de solidariedade social.

“Temos a vontade e a disponibilidade, falta-nos ajuda económica”, afirmou, defendendo a criação de condições que assegurem a sustentabilidade das respostas sociais.

A diretora do Centro Distrital de Segurança Social de Santarém, Paula Carloto, considerou as residências assistidas uma resposta de futuro, adequada às necessidades de uma geração de idosos que pretende preservar a independência e manter as suas rotinas.

“A nova geração de idosos quer qualquer coisa mais do que aquilo que tem sido oferecido”, afirmou, defendendo que o envelhecimento ativo pressupõe que as pessoas continuem a assumir responsabilidades e a gerir o seu quotidiano.

Segundo a responsável, este modelo pode constituir uma primeira resposta residencial, anterior à entrada em estruturas tradicionais para idosos ou unidades de cuidados continuados.

Paula Carloto reconheceu que o equipamento de Abrantes não beneficiou de apoios públicos, ao contrário de outros projetos semelhantes previstos no distrito com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A responsável admitiu ainda a possibilidade de novos ajustamentos às comparticipações públicas e manifestou disponibilidade para colaborar com a Misericórdia na entrada em funcionamento das residências.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, destacou, por sua vez, o papel da instituição na coesão social do concelho e recordou as dificuldades que acompanharam o investimento, assegurando a continuidade da colaboração municipal.

Fundada em 1504, a Misericórdia de Abrantes apoia atualmente 95 idosos em estrutura residencial, 16 utentes em centro de dia, 24 pessoas através do apoio domiciliário, 71 crianças e 12 beneficiários das cantinas sociais, contando com 140 trabalhadores.

A inauguração integrou as comemorações do Dia da Irmandade, que incluíram também a apresentação do órgão de tubos da Igreja da Misericórdia, recentemente recuperado, e contaram com a presença do bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes.

c/Lusa

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply